Opinião

O medo da reeleição


Os congressistas que atuam seriamente –sim, existem -sentem-se levados pela onda de descrédito, justificada, mas não sabem como agir para fazer o eleitor distingui-los de quem se vale do mandato para cuidar de si mesmo


  Por Paulo Saab 05 de Outubro de 2017 às 09:51

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


Ouvi de um grupo de deputados federais, nesta quarta-feira (04/10), na Câmara, sua profunda preocupação com o que chamam da mais alta renovação do Congresso Nacional, nas eleições do ano que vem.

Estarão em disputa os cargos de presidente da República, governadores de Estado, dois terços do Senado, as cadeiras de deputados federais e as de deputados estaduais.

A preocupação é de parlamentares que não estão citados nas operações e denúncias de corrupção, todos com vários mandatos já alcançados e que sentem na pele o furor do desencanto do país com os políticos.

Um deles chegou a citar que é dos poucos que ainda usam o broche de membro da Câmara dos Deputados, na lapela, dizendo que a maioria o retirou com receio de constrangimentos públicos ao serem identificados como políticos.

Os congressistas têm consciência, ao menos os que de fato atuam de forma republicana de que as possibilidades da reeleição estão cada vez menores face aos desatinos que seguem sendo cometidos no Senado e na Câmara, embora hoje o foco tenha se alastrado para os agentes públicos em geral.

Um deles, parlamentar de qualidade técnica reconhecida pelos colegas, foi enfático ao dizer que se não fizerem algo, nenhum deles voltará à Câmara. Ainda assim, não soube dizer o que seria fazer algo.

Os congressistas que atuam seriamente –sim, existem -sentem-se levados pela onda de descrédito, justificada, mas não sabem como agir para fazer o eleitor distingui-los de quem se vale do mandato para cuidar de si mesmo.

A era de incerteza que acomete o país, provocada pela ousadia criminosa de políticos sem caráter, de agentes públicos corruptos em todos os poderes e níveis, e pela banda podre do empresariado, sem falar da banda podre dos movimentos políticos, ditos sociais, mas criminosos, contaminou finalmente os parlamentares que não são donos de currais eleitorais.

Têm parte de culpa nisso tudo porque não se rebelaram nem se rebelam, ainda, contra os projetos e ações que visam favorecer a privilegiada casta dos políticos e agentes públicos, em detrimento da sociedade brasileira como um todo.

*As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio