Opinião

O grande silêncio


Não se ouvem protestos contra o que se arma perante todo o País. Só a voz solitária do relator Herman Benjamin no plenário do TSE, que soa como um réquiem da Justiça nesta República.


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 08 de Junho de 2017 às 20:59

  | Historiador


Encaminha-se o Brasil, célere, para mais um vexame, em mais um jogo de cena que repugna a todos.

Nas redações, palcos e ruas, não se ouve sequer um murmúrio de “Fora Temer” da esquerda pseudointelectual, pelega e baderneira.

Nos gabinetes e plenários, entre conchavos e cambalhotas retóricas, magistrados conspiram abertamente com seus associados e benfeitores para exclusivo benefício próprio.   

Assim, mancomunam-se mandriões e raposas para fazer vingar, rapidamente e em silêncio, um dos maiores atentados à moral pública de nossa História.  

Querem nos convencer de que todas as provas que brotaram das investigações legais desenvolvidas nos últimos anos, que escandalizaram o Brasil e o mundo, não podem ser aceitas no julgamento do objeto e do fim de tudo que nos aconteceu de ruim: a constituição de um governo de bandidos.

Silêncio é o que mais choca nesta hora de perplexidade. Não se ouvem protestos, não se lêem pungentes editoriais e muito menos inflamados discursos no Congresso contra o que se arma perante todo o País.  

Só a voz solitária do relator Herman Benjamin no plenário do TSE, que soa como um réquiem da Justiça nesta República.

Dirão os cínicos que, amanhã, depois ou sabe-se lá quando terminar essa farsa, continuarão as coisas todas em seu lugar, principalmente eles, claro.

Pois essa é a finalidade do despropósito que assistimos, mantê-los todos em seus lugares, fazendo a mesma coisa que estão acostumados a fazer: roubar e calar.  

Mas esse silêncio têm a sua nota bem sonante. Reverbera muito além deste momento, para lá dos espaços e das tribunas onde faz doer os ouvidos. Foi composto a muitas mãos pelos corruptos que temem a práxis da Lava-Jato: pagar e falar.

E esse silêncio fala. Mostra a extensão e profundidade da associação do governo impedido com o atual, faces do mesmo mal de que estamos longe de nos livrar, desvelando as últimas ilusões de quem ainda pensava que algo de bom pudesse acontecer dessa transição, depois de um pesadelo que simplesmente não terminou.

Que ele fale a nós então. E cale fundo.

Por que, se continuarmos em silêncio, faremos parte disso.

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