Opinião

O dilema brasileiro


A crise econômica reclama urgência nas reformas para sair desse clima de incerteza, que afasta os investimentos externos e internos


  Por Roberto Mateus Ordine 04 de Julho de 2017 às 16:17

  | Advogado e vice-presidente da ACSP e Facesp


O Brasil vive um dilema que precisa ser resolvido com urgência: de um lado atravessa uma crise política e social nunca vista, ampliada por desacertos entre os poderes constituídos.

De outro, a crise econômica que atingiu o país em 2014 reclama providências urgentes, sob pena de dificultar ainda mais o desenvolvimento brasileiro, que já recuou mais do devia.

A situação política nacional não poderia ser pior neste momento, dando a impressão que o barco Brasil navega sem rumo, agravado pela falta de união harmônica entre os três poderes, o que contraria a lição do pensador Charles de Montesquieu, em sua obra escrita no século 18, intitulada  “Espírito das Leis” .

A crise econômica reclama urgência nas reformas para sair desse clima de incerteza, que afasta os investimentos externos e internos. Tanto os investidores nacionais quanto os estrangeiros esperam por mais segurança para investir em seus negócios.  

Neste dilema quem sai prejudicada é a Nação, que percebe o risco de piorar ainda mais a qualidade de vida dos brasileiros, se não houver mudança  urgente, por meio das reformas anunciadas.

A falta de emprego e de investimento ameaçam milhões de famílias que já estão com suas economias desgastadas.

São mais de 14 milhões de desempregados e mais de 20 milhões de famílias envolvidas neste drama social.

Enquanto isso, em Brasília, as discussões e disputa políticas continuam alheia à realidade econômica e social que atingiu os brasileiros. Poucos agentes públicos parecem preocupados com os efeitos danosos que a disputa política gera em nossa economia.

A instabilidade política faz com que os investidores se retraiam, aguardando um momento mais propício para voltar a investir. Enquanto isso, a falta de investimentos reflete na queda da receita, aumentando déficit público e diminuindo o emprego.

As reformas trabalhista e previdenciária aguardadas para o início da arrancada do desenvolvimento econômico do país continuam ameaçadas, diante dos políticos vacilantes, que preferem não arriscar sua imagem diante de seus eleitores.

O resultado dessa situação confusa é que a economia não gira, o desemprego aumenta e o Brasil permanece estagnado, apesar das riquezas e oportunidades que nosso país possui.

Para piorar o quadro, alguns políticos desinformados ou oportunistas reclamam por novas eleições, como se isso fosse viável, apesar das travas constitucionais, que determina eleição indireta como caminho legal para eventual saída do presidente. 

Os que pensam e agem assim não querem ajudar o Brasil a sair da crise e saltar para o desenvolvimento que a Nação merece, diante de seu imenso potencial de riquezas que a natureza nos legou. 

Preferem apostar no discurso dos derrotados, esquecendo-se que sem reforma trabalhista corrigindo as distorções de décadas de atraso, não haverá investimentos para gerar novos empregos.

Os três milhões de novos processos trabalhistas por ano estão a demonstrar o desajuste existente nas relações de trabalho em nosso País. É preciso corrigir esse engano histórico e a reforma trabalhista é, sem dúvida alguma, o caminho para parte da solução do problema.

Nessa confusão quem sofre é a população que depende exclusivamente do trabalho para sustentar suas famílias, que já passam dificuldade porque seus responsáveis não encontram trabalho para sustentá-las com dignidade.

Esperemos que o espírito responsável pela harmonia dos três poderes constituídos em nosso ordenamento jurídico,  prevaleça para  a solução deste dilema brasileiro a favor das milhões de famílias brasileiras que precisam de trabalho, paz e prosperidade.