Opinião

O almoço tem sempre quem paga


Quem precisa de cota, é bom repetir, é o pobre, o aluno que não estudou nas grandes escolas – seja ele branco, negro, mulato, índio ou asiático


  Por Aristóteles Drummond 09 de Novembro de 2016 às 19:59

  | Jornalista


Nesse momento em que o Brasil quer enfrentar a crise na economia, com coragem e determinação, deve-se reavaliar algumas questões de justiça e bom senso.

Uma delas é a legislação que garante gratuidades e cotas sem outro sentido que não o demagógico, fruto de uma mentalidade menor, de quinto mundo.

O primeiro se refere à gratuidade em transportes públicos para os idosos. Ora, quem precisa e deve ter a gratuidade é o pobre e não o idoso.

Por exemplo, aposentado e sem trabalhar, com até dois mínimos, mesmo com menos de 60 anos, poderia requerer a carteira de isenção, como o idoso faz no metrô do Rio.

As cotas também são equivocadas, pois partem do falso princípio de que a cor determina a necessidade.

Quem precisa de cota, é bom repetir, é o pobre, o aluno que não estudou nas grandes escolas – seja ele branco, negro, mulato, índio ou asiático.

A gratuidade a quem não precisa constrange, uma vez que, como gostava de repetir Roberto Campos, não existe almoço de graça.

O serviço das barcas que ligam o Rio a Niterói e a outros destinos na Baia da Guanabara anda deficitário para a concessionária, em parte pelo exagero da gratuidade.

Tem muito idoso que pode e quer pagar por estar consciente do absurdo que é não cobrar de quem pode pagar.

Até uma simples renovação de carteira de motorista, que se supõe seja de quem possua o veículo, é dispensada da taxa para os idosos.

O desconto em cinema, setor que anda sofrendo queda de arrecadação, é outro absurdo. Cinemas nos shopping de luxo cobram meia-entrada ao idoso, quando deveria ser como antigamente, ou seja, gratuidade apenas ao estudante, mediante apresentação da carteira.

O atendimento de saúde melhoraria muito se fosse instituído um programa com base na vitoriosa experiência da Prefeitura de São Paulo, na gestão Paulo Maluf, em que os postos de saúde tinham o horário de funcionamento prorrogado, com o essencial (segurança e limpeza) dado pelo município e os médicos podendo cobrar consultas em valor que corrigido seria de 40 reais.

Quem pudesse, ao invés de ficar na fila habitual e nem sempre conseguir ser atendido, iria no horário da tarde, que era das 16 às 22 horas, pagando uma consulta popular.

Não acabaria a gratuidade, mas aumentaria o atendimento. Muita gente não pode arcar com uma consulta de mais de 150 reais, mas pode pagar 40.

Enfim, esse é um tema a ser discutido. Quem pode e tem consciência social quer pagar, ou melhor, não quer que a sociedade pague suas contas apenas por ter chegado à terceira idade.

*********
As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio