São Paulo, 24 de Setembro de 2016

/ Opinião

Mundo, mundo, vasto mundo...
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Os EUA alegam que o governo chinês usa o espaço cibernético para espionagem comercial. A China nega as alegações americanas. Por seu turno, os americanos alegam reservar sua capacidade nesse campo apenas para garantir sua defesa e segurança. Até o momento não há defesas eficientes aos contra-ataques cibernéticos.

No conhecido poema de Drummond, os versos “mundo, mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não uma solução” pode ser interpretado como a visão do poeta conflitado com o mundo, em busca de um sentido para a existência.

Para nós, cidadãos, o mundo permanece conflitado, como sempre o foi; mudam apenas a natureza dos conflitos e a dificuldade de encontrarem-se soluções para os problemas e impasses.

Agora mesmo encerrou-se a reunião de cúpula do G7, focada, ao contrário do que se noticiou, não na questão grega, mas na manutenção, cada vez mais difícil, das sanções à Rússia. Como conciliar tantos e diferentes interesses em jogo nessa questão?

Mais complexo é o problema dos ataques cibernéticos a diversos órgãos da administração e empresas nos Estados Unidos. Para os americanos, a origem desses ataques é a China.

Não se trata de problema trivial. Os EUA e a China são hoje as duas maiores economias do mundo. Do ponto de vista comercial, as relações econômicas bilaterais têm beneficiado as duas partes.

Além disso, a China detém o maior estoque de dívida pública dos EUA, financiando os déficits americanos e sustentando as vendas de seus produtos aos EUA.

Talvez haja uma ponta de conflitos diplomáticos na área comercial, já que ambos pretendem aumentar o comércio mútuo, ao mesmo tempo em que pretendem reservar para si a parcela maior dos benefícios. Nada de novo nisso.

Também os temas regulatórios envolvidos nesse comércio bilateral e no comércio multilateral dos dois países são objeto de discórdia. Nada de novo aqui também. O problema central reside na área de segurança e defesa.

No que diz respeito à capacidade bélica convencional, o desequilíbrio é francamente favorável aos EUA. A China não contesta essa superioridade, às vezes a questionando quando os americanos chegam muito perto de sua área de influência.

Diferente é o caso do espaço cibernético. Os EUA alegam que o governo chinês usa o espaço cibernético para espionagem comercial. A China nega as alegações americanas. Por seu turno, os americanos alegam reservar sua capacidade nesse campo apenas para garantir sua defesa e segurança.

Até o momento não há defesas eficientes aos contra-ataques cibernéticos. O rápido crescimento desses ataques está opondo os EUA e a China, e futuros entendimentos bilaterais com relação à ordem econômica global ficarão progressivamente mais difíceis.

Esse potencial de conflito tendo por pano de fundo a internet não se restringe aos EUA e à China. Muitos dos aliados dos EUA manifestam cada vez mais insatisfação com a posição dominante americana.

Ainda por cima, regimes autoritários de outras partes do mundo também estão insatisfeitos com a dominância americana, já que temem os efeitos de uma internet totalmente livre como a conhecemos hoje.

Voltando à Grécia, objeto de atenção nesse espaço, completo o que foi dito aqui anteriormente. A sexta-feira passou, último dia para um acordo com o FMI. Mas nada aconteceu por hora, exceto juntar o pagamento então devido com outro, programado para o fim do mês.

O que a Troika requer do governo do primeiro ministro Alexis Tsipras está em conflito aberto com as promessas de campanha de seu partido.

Aparentemente os europeus estão mais flexíveis, especialmente com relação às exigências mais sensíveis para a Grécia, como a reforma do sistema de previdência social. O provável resultado é um financiamento ponte até setembro para que se dê tempo ao tempo para que um acordo palatável entre as partes seja encontrado.

Quaisquer que sejam as flexibilidades envolvidas, um acordo terá que ser aprovado pelo Parlamento grego. É aí que mora o perigo. Não surpreenderá se Tsipras enfrentar um voto de desconfiança. É difícil dizer o que ocorreria nessa circunstância.

Falando em pendências, lenta mais seguramente o acordo com o Irã caminha. Isso se deve, em última instância, à cooperação entre os EUA, países europeus, Rússia e China. Essa frente coesa está evitando que uns pudessem ser jogados contra os outros e impedindo um final das negociações satisfatório para todos.

Finalmente, os resultados da eleição parlamentar na Turquia. Depois de 12 anos de um governo sob partido único, pela primeira vez o país se vê diante da possibilidade de um governo de coalização. Se esse for o resultado, se voltará a um regime mais pluralista, algo sempre bom para evitarem-se tendências autoritárias típicas de governos com maioria absoluta no Parlamento.



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