São Paulo, 09 de Dezembro de 2016

/ Opinião

Mel na chupeta
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Aécio sai na frente das pesquisas para 2018; Alckmin e Serra podem também disputar a Presidência, mas por outros partid os

A eleição de presidente da República de 2018 promete ser a mais concorrida de todos os tempos, podendo reunir quatro fortes candidatos com o mesmo potencial de voto e as mesmas credenciais para se eleger sucessor de Dilma Rousseff.

Os quatro podem se posicionar na fita de largada no momento oportuno do início da difícil maratona que vem aí, cabendo ao vitorioso romper a fita de chegada na rampa do Palácio do Planalto, subir no pódio e ostentar no peito a cobiçada faixa presidencial.

Os presidenciáveis em pauta são os tucanos Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin e o petista Lula. Os tucanos admitem que a eleição de 2018 será menos complicada do que a de 2014, por acharem que Lula disputará a presidência pela 6ª vez, enfraquecido pela crise que domina o País e porque teima em não ir embora.

Como faltam três anos para a próxima eleição presidencial, qualquer um dos quatro candidatos pode chegar ao Poder.

O PT tem apenas uma opção que é a candidatura de Lula, o único ainda em condições de sustentar o partido no poder por mais quatro anos, enquanto o PSDB dispõe de três presidenciáveis com cacife eleitoral suficiente para ganhar a eleição.

O PT não tem nenhum substituto à altura de Lula. Se Lula não for candidato, o PT entrega o Poder ao PSDB de mão beijada.

José Serra e Geraldo Alckmin não se iludem e sabem que Aécio Neves é o "dono" da legenda para concorrer ao Planalto pela 2ª vez consecutiva, em apenas quatro anos, além de ser novamente o candidato da imprensa.

Aécio preside o partido e tem o controle absoluto dos eleitores que votam na convenção que vai indicar o candidato a presidente. A posição de Aécio, portanto, é cômoda, e tem o sabor de mel na chupeta.

Como Serra e Alckmin também acreditam que podem se eleger, aproveitando a perda de sustentabilidade do PT, a única saída dos dois tucanos é ser candidato por outros partidos, sobretudo porque pode ser a última oportunidade de ambos de se candidatar ao Planalto, já que o tempo avança e a idade também.

O senador e o governador não têm feito outra coisa a não ser costurar suas prováveis candidaturas por outros partidos, como PMDB e PSB, respectivamente.

O problema de idade preocupa mais Serra, que está com 73 anos e menos Alckmin, que tem 62.

O acerto de Serra, portanto, é com o seu antigo partido, o PMDB, enquanto Alckmin acerta os passos com o PSB, um de seus principais aliados no governo do Estado. O namoro nos dois casos está andando, pode avançar até chegar ao noivado e acabar em casamento em 2018.

O PMDB já decidiu que não vai indicar mais o vice na chapa do PT e que seu propósito é lançar candidato próprio à sucessão de Dilma. O tititi de Serra tem sido discutido diretamente com o "papa" peemedebista, o vice-presidente da República, Michel Temer.

Já a conversa de Alckmin com os socialistas gira em torno de sua candidatura ao Planalto pelo PSB, enquanto seu vice no governo estadual, Márcio França, seria seu candidato ao Palácio dos Bandeirantes.

Para completar o quarteto dos maratonistas, devemos ter mais uma candidatura de Lula, que sempre surge como "fantasma" a assustar e a rondar principalmente o ninho tucano, em noite de sexta-feira, 13.

A divisão de votos na área de influência do PSDB, entre Aécio, Serra e Alckmin, pode beneficiar Lula apenas no 1º turno, porque, no 2º turno, os três voltariam a se unir para barrar um terceiro mandato presidencial do petista.

O projeto de Lula é iniciar a campanha com cerca de 30% de intenção de voto, que tem sido a marca tradicional do PT em eleições majoritárias. Esse índice - se conquistado- bastaria para Lula garantir uma vaga no segundo turno, deixando Aécio, Serra e Alckmin se atropelando entre si para ver quem seria seu adversário no turno final da eleição.

Mas, a pesquisa Datafolha de domingo apontou Aécio com 35% de preferência dos eleitores, contra 25% de Lula.

Como o Datafolha assegura praticamente a derrota do PT e a vitória do PSDB, os petistas sugerem que não há mais necessidade de a " imprensa engajada no projeto de poder do PSDB continuar com a campanha odiosa contra Lula."



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