São Paulo, 29 de Setembro de 2016

/ Opinião

Me engana que eu gosto
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As empreiteiras doam a partidos que, depois da eleição, devolverão as doações sob a forma de superfaturamento e corrupção

Vira e mexe, denúncias sobre o uso irregular de dinheiro do caixa-2 das empresas privadas, em campanhas eleitorais, aparecem nas páginas de jornais e revistas e servem para alimentar comentários nas emissoras de rádio e televisão.

Tradicionalmente, o grosso das doações é feito para candidatos a prefeito, governador e presidente da República, principalmente para os que lideram as pesquisas e reúnem melhores condições de se eleger.

As empresas preferem investir em candidatos favoritos por motivos sobejamente conhecidos, para terem o retorno do valor doado garantido e acrescido de juros e correção monetária, o suficiente para pagar ainda o correspondente às costumeiras propinas aos corruptos que, via de regra, se abrigam sobretudo nas estatais, com suas tetas de mamar generosas.

No Brasil dos últimos vinte anos os partidos que mais elegem chefes de Executivo são o PT, PSDB e PMDB, e são eles que abocanham as maiores fatias das doações feitas pelas empresas, como serve de exemplo, a eleição presidencial do ano passado, em que Dilma Rousseff e Aécio Neves foram buscar em fontes milionárias cerca de R$ 300 milhões, cada um, para pagar suas campanhas.

Os principais doadores aos dois presidenciáveis, do PT e PSDB, respectivamente, foram empreiteiros, como é praxe em quase todas as eleições majoritárias, alguns presos pela Operação Lava-Jato por seu envolvimento no escândalo das propinas na Petrobrás.

É raro a Justiça Eleitoral no País recusar a prestação de contas de campanha de um candidato a cargo Executivo, porque o partido consegue justificar a legalidade das doações, embora o Tribunal Eleitoral desconfie de que está fazendo papel de bobo, isto é, sendo enganado, mas que não encontra brecha na legislação para punir os candidatos, por falta de provas concretas.

Nas investigações da Operação Lava Jato, por exemplo, os delatores têm informado que liberaram a este ou aquele candidato dinheiro para suas campanhas, com o carimbo de propina, mas os partidos negam as acusações e continuam garantindo que todas as doações recebidas foram legais, ficando o dito pelo não dito.
 
As provas de que teria havido fraude nas prestações de contas dos partidos aos tribunais eleitorais, correspondentes às campanhas de governador, presidente da República e em alguns casos, também, para a Câmara dos Deputados e Senado continuam sendo procuradas pela Justiça, Ministério Público e Polícia Federal, instituições que têm o cuidado de investigar se são verdadeiras todas as confissões dos presos que optaram pela delação premiada, porque pode ocorrer que alguns dos corruptos e corruptores mintam em seus depoimentos para se beneficiar com penas mais brandas.

De uma coisa, porém, Justiça, Ministério Público, Polícia Federal e principalmente a população tem a certeza: de que empreiteiros não iriam fazer a doação de cerca de R$ 600 milhões apenas para as campanhas de Dilma e de Aécio, se não tivessem a convicção de que, depois da posse do eleito, teriam a devolução do valor doado e mais algumas benesses quando assinam contratos para a execução de obras públicas.

Os negócios malcheirosos, entre empreiteiros e representantes de governos municipais, estaduais e federal que se corrompem, são facilitados quando corruptos e corruptores conseguem se infiltrar e se entender maravilhosamente bem com os partidos que chegam ao Poder, como são exemplos os dois mais recentes escândalos, o das propinas na Petrobrás e o do propinoduto de 12 anos no Metrô e CPTM de São Paulo.
 
Na roubalheira na Petrobrás, patrocinada por diretores larápios, o partido mais envolvido é o PT, porque corruptos e corruptores sabiam que era a legenda com maior probabilidade de eleger o presidente da República e conseguiram ganhar a confiança de suas lideranças para roubar à vontade a Nação e os contribuintes, comprometendo os governos de Lula e de Dilma Rousseff.

Já, no outro foco de gatunagem, o Metrô paulistano, os corruptos e corruptores apostaram suas fichas no número certo da roleta que roletava se infiltrando no PSDB, sabendo que o partido elegeria mais um governador, porque o tucanato vinha administrando o Estado há muitos anos.

A roubalheira em São Paulo compromete os governos dos tucanos Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin.

Sabe-se, no entanto que, no Brasil, não existe uma única obra pública que não seja irrigada pela propina, seja nas prefeituras, governos estaduais e governo federal.

O protesto do PT é que, quando a corrupção envolve o PSDB, desaparece da mídia no dia seguinte.

Os petistas são cáusticos quando acusam a existência da "corrupção seletiva" no País, afirmando que, "principalmente para a imprensa, a corrupção do PSDB pode". 



Ele disse desconhecer que os valores depositados em conta secreta do casal de marqueteiros eram relativos a dívida de campanha da presidente afastada Dilma Rousseff

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Dá-se destaque, como se fosse notícia, ao desânimo de Lula. Enquanto isso, milhões de brasileiros buscam emprego

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