Lucro gera progresso - Opinião - Diário do Comércio
 
   

Lucro gera progresso


A exemplo do Canadá e dos Estados Unidos, o Brasil apresenta grande mobilidade, com a gestação pela atual geração de grande parte dos maiores grupos empresariais


  Por Aristóteles Drummond 16 de Junho de 2015 às 11:04

  | Jornalista


No regime capitalista, as fortunas são formadas pelo trabalho, pela poupança ou pela herança. Infelizmente também pela corrupção, como ocorre no Terceiro Mundo.

E existem as criadas à sombra de benefícios do Estado, via entidades financeiras. São os casos do BNDES, no Brasil, em que as operações são protegidas por sigilo que inclui o Congresso Nacional, ou no Chile, onde o banco oficial financiou especulação da nora da presidente Bachelet, conhecida agora como “a sogra do ano”.

O Brasil forma com o Canadá e os EUA o trio de países com maior mobilidade social. As fortunas são, em sua maioria, de primeira geração e é raro chegar à terceira ou quarta. Ao contrário, por exemplo, do Reino Unido, onde quase da metade das fortunas são de famílias que viveram sob o reinado da Rainha Vitória.

Assim é que as fortunas nascidas do trabalho, da sensibilidade para empreender e acertar de homens de origem modesta, são altamente positivas e representam a face progressista do regime capitalista, que, entre outras vantagens, é marca de países democráticos.

Estas fortunas, infelizmente, são perdidas nas gerações seguintes, sendo que alguns abdicam da gestão para ficar apenas nos benefícios da ventura que o destino lhes reservou.

Na lista dos mais ricos do Brasil, a maioria é de primeira geração, no comércio, na indústria e no agronegócio. Nos bancos, os herdeiros não conseguiram manter as instituições e foram vendidas, incorporadas ou liquidadas.

Prevalecem poucos casos como o Itaú. Logo, o criador nem sempre tem a sorte de Nevaldo Rocha, que fundou o gigante Grupo Guararapes - Lojas Riachuelo -, que tem no filho Flávio um companheiro e inovador.

Há meio século, o quadro era outro. As grandes instituições estavam em mãos de famílias, a começar pelos bancos. Hoje, muita coisa foi desnacionalizada por gestões ineptas, temerárias ou irresponsáveis de herdeiros. A lista é imensa e causa espanto quando avaliada.

Um livro que não deve deixar de ser lido é Sonho Grande, de Cristiane Correa, que conta a história de três homens (Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira) oriundos da classe média, que se tornaram os mais importantes empresários do Brasil, com presença internacional, que são os acionistas e executivos da AMBEV.

Fortunas positivas, que geram empregos, impostos e até divisas ao país, na austeridade elogiável no sistema de gestão empresarial como na vida pessoal de cada um dos três. Talento e trabalho bem entendido.

Nessa crise que vivemos, a superação só pode ser obtida pela livre empresa, criativa, que procura contornar nossas deficiências na produtividade da mão de obra, nos impostos altos e nas leis trabalhistas que colocam as empresas em situação de risco permanente.

Fora deste caminho no mundo de hoje, só mesmo a decadência que assistimos nos bolivarianos, ao contrário do México, Peru e da Colômbia, que são as referências mais positivas no Continente.