São Paulo, 06 de Dezembro de 2016

/ Opinião

Liberais
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O liberalismo não vê o Estado como um obstáculo; o PT procura se apropriar do Estado para se perpetuar no poder

É sempre oportuno, notadamente em épocas em que o Estado se arvora em tutor dos destinos de um país, relembrar, uma vez mais , o que significa ser liberal, na medida em que a expressão e seu conceito sejam demonizados pelos detentores do poder.

É verdade –faça-se justiça - que no caso brasileiro o liberalismo é usado pela manipulação política dos que querem o controle total do Estado sobre a sociedade, como argumento político e eleitoral e muito menos como doutrina.

Esclareça-se, também, nas palavras de Mario Henrique Simonsen, ditas há mais de 20 anos, que o liberalismo “é uma doutrina política e não econômica. Procura conciliar dois sentimentos humanos conflitantes, o desejo ser livre e o de viver em sociedade. Liberais das diferentes correntes só têm em comum a defesa do Estado de direito...O liberalismo inspirou, na época, a Independência Americana e a Revolução Francesa...”.

Ainda na palavra de Simonsen, “o liberalismo como doutrina política não visa acabar com o Estado. Exige que a liberdade de cada um cesse no momento em que prejudicar a de outro, princípio que só pode ser posto em prática se todos os indivíduos se sujeitarem ao arbitramento dos conflitos por uma entidade superior, o Estado...A proposta dos neoliberais é a do Estado limitado a três funções: policiamento, justiça e defesa nacional. “

O leitor, inteligente como é, nota que minhas observações sobre o liberalismo buscam fazer um contraponto com os que buscam o gigantismo estatal, controlador de tudo e de todos, como o que se busca pratica no Brasil da era petista.

O ex-ministro da Fazenda, repito, em artigo de mais de 20 anos, sempre atual, enfatizava: “É errado acusar os neoliberais (neologismo cunhado para os liberais modernos –nota do colunista) de quererem enfraquecer o Estado. Estado fraco não é aquele que exerce poucas funções, mas aquele que não consegue cumprir suas tarefas constitucionais.”

Observo aqui a necessidade de distinção entre Estado e governo. O Estado é o instrumento constitucional permanente, enquanto o governo é representado pelo grupo partidário que chegou ao poder através das urnas (numa sociedade democrática como a nossa e contra a qual muitos no poder conspiram) para fazer cumprir o que a Constituição determina.

São constantes e claros os exemplos desde a primeira posse de Lula de que seu governo e seguidores enxergam na Constituição apenas um entrave aos seus planos de poder permanente, descumprindo-a quando entendem ser acima delas os interesses de dominação e manutenção do grupo no comando.
No Brasil de hoje os princípios liberais aqui lembrados de passagem e sem a profundidade que contém, são desqualificados –como de resto tudo que contraria os interesses dos que estão e não querem sair do poder federal -  porque a despolitização absoluta de nossa massa populacional atende aos apelos (e herança cultural) de que o Estado deve resolver os problemas de cada um.

Ao contrário de Kennedy, e aqui sua frase seria vaiada, em vez de transformada em lema de uma nação, ninguém pergunta o que pode fazer por seu país, mas só que o país pode fazer para cada um.
 
Os liberais verdadeiros, e sem  se sentirem inibidos pelas desqualificações que os adversários da liberdade querem impingir, devem estar alertas e ativos, porque o papel do Estado brasileiro, hoje em dia, pela ação despudorada dos grupos de domínio que desejam se perpetuar, eliminando as liberdades, trabalham a cada dia para criar no país a divisão de classes, a separação étnica, o clima de confronto entre diferentes segmentos sociais e de categorias, para impedir que se unam e tenham voz majoritária para nas urnas derrotar quem vem destruindo a base moral da sociedade brasileira para receber os usufrutos (comprados com dinheiro público) do poder.

Recomendo a quem pensa, gosta de ler, saber, discernir, entender, ou seja, a  minoria de nossa população, que revisite as páginas do livro “Liberalismo”, de Ludwig Von Mises, e se torne um ativo defensor dos princípios de ampla liberdade que a doutrina explica e mostra como funciona, como forma de impedir que o crescente fortalecimento do estado (pelos agente hoje detentores do poder no governo federal) consigam seu intento de levar a zero a capacidade de sociedade de tutelar o governo, para que os que detém o poder hoje tutelem de forma absoluta e permanente a pacata e ignorante população do país.

 



Na comparação com igual mês do ano passado, a queda de junho foi menor que a registrada em maio, de acordo com levantamento ACVarejo, da Associação Comercial de São Paulo

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Mesmo na mais louvada das democracias, o Estado é hoje o mediador e juiz soberano de todas as ações e relações humanas, até as mais particulares e íntimas

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Comparado à organização estatal, mesmo o conjunto das ciências existentes não passa de uma mixórdia de teorias contrapostas, grupelhos em disputa e preferências irracionais

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