São Paulo, 10 de Dezembro de 2016

/ Opinião

Ladeira abaixo
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O diagnóstico negativo que tracei há 20 meses se agrava com uma presidente incrivelmente desgastada já no início de seu segundo mandato

Mesmo sem bola de cristal, é fácil prever, apenas constatando, como vai o Brasil na era Lula/Dilma. Em 5 de junho de 2013, portanto há mais de um ano e meio atrás, escrevi:

“A verdade é que a sociedade brasileira, em diferentes graus e degraus, está se cansando do estilo petista de governar. Com a adesão maciça de partidos e políticos que perderam a identidade ideológica para receber esmolas de poder (mas muito dinheiro público) a força governista virou um monstro que está se revelando ingovernável.

A presidente Dilma não tem talento político nem paciência pessoal para esse tipo de jogo onde ela fica dependente de conversações que não faz.

Outro detalhe importante: a própria mídia nacional, abarrotada de verbas oficiais em todos os segmentos, não consegue também esconder mais os malfeitos governamentais na política econômica e nas negociações políticas.

Editoriais, reportagens artigos assinados, começam a se intensificar criticando os donos do pote de ouro, chamado erário.

Está em andamento um nítido processo de esgotamento da fantasia vendida como Brasil sem problemas e visível cansaço com os arautos da falácia que ocupam cargos importantes, tendo como principal arma a propaganda enganosa e o ataque a quem os ousa criticar.”

Ainda assim Dilma venceu a eleição de 2014, com placar apertado, e encurralada entre a possível vontade de acertar e os desatinos do PT e aderentes interesseiros. Segue ladeira abaixo arrastando o país, para onde não se sabe. Ou ninguém ousa dizer.

O que escrevi há cerca de 20 meses está comprovado e piorado, pelos escândalos que se sucedem, dos quais o da Petrobrás já vai para o livro de recordes como o maior de corrupção da história da humanidade, o que dá um tom patético ao início da segunda gestão de Dilma. Mal começou e já tem ares de fim de feira.

Vão tentar agora, quando Inês é morta, salvar a Petrobrás, mudando sua direção. O que já deveria ter sido feito há tempo, na medida em que parcela do eleitorado decidiu, pelo medo de perder as esmolas dos cofres públicos travestidas de bolsas, não trocar Dilma, nem o PT.

Os números não mentem. A indústria brasileira está dizimada. Existe crise de energia elétrica e de abastecimento de água. Interessante notar que a questão da falta de energia e água agora aparece praticamente em todo o país, enquanto na campanha eleitoral estava focada apenas no Estado de São Paulo, onde mesmo sob bombardeio, Geraldo Alckmin esmagou as candidaturas de Dilma e Padilha.

A população do Estado de São Paulo repudia de forma declarada o petismo. Até na capital, onde o PT brinca de governar, a vitória foi de Aécio e Alckmin.

O Brasil aprofunda sua crise de gestão, sua crise econômica, financeira, e a que abriga todas, a crise moral. O esforço de Joaquim Levy, de quem Dilma tenta se socorrer para não soçobrar na inflação, contrariam todas as teses e ações petistas no campo econômico.

Não devem ser, todavia, suficientes para convencer os “companheiros” que os atacam e fazem fogo amigo dentro de um governo sem rumo.

A inflação está de volta nos custos, taxas, preços, e não é de hoje. Só Dilma na via e não agia.

Como cidadão torço para que o governo encontre um rumo, acerte, reponha o país na trilha certa. Serei o primeiro a elogiar o PT e Dilma, embora nada indique que isto possa ocorrer.

O quadro político nacional e os regionais são de baixa qualidade. Não existem mais homens (e mulheres) públicos. Existem políticos em busca da própria $alvação).

Estamos ladeira abaixo.

 

 



Resultado abre espaço para uma redução menos “tímida” da taxa de juros por parte do Banco Central, segundo economistas da ACSP

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Em 12 meses, o resultado ficou em 6,99%, ainda muito acima do teto da meta estipulada pelo governo, de 6,5%

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É uma das principais estratégias da companhia para superar a crise financeira, marcada pelo alto endividamento e a redução do fluxo de caixa

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