São Paulo, 26 de Maio de 2017

/ Opinião

Já vimos esse filme
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O PSDB não precisa ficar eufórico com a queda da popularidade de Dilma e o sucesso das manifestações de rua da oposição

O PSDB se esforça para não se deixar contaminar pelo excesso de otimismo que toma conta da militância, após o êxito das manifestações de protestos contra o governo.

A cúpula quer evitar o clima do “já ganhou” que ronda o partido, achando que a eleição presidencial de 2018 “está no papo”.

Os tucanos mais velhos, no entanto, têm amarga recordação de 1985, quando Fernando Henrique Cardoso era candidato à Prefeitura de São Paulo e aceitou sentar na cadeira do prefeito antes da eleição para ser fotografado pela revista Veja, largando o mico quando teve de engolir goela abaixo a vitória de Jânio Quadros, que, num gesto de indelicadeza, desinfetou a cadeira ao tomar posse.

Os tucanos mais cautelosos lembram de filme semelhante exibido nas ruas em 2013 e também dos xingamentos e vaias vividos pela presidente Dilma Rousseff nos estádios do Rio, São Paulo e Brasília, onde se desenrolavam jogos da Copa do Mundo.

O que os tucanos não esquecem é que depois de 2013 veio 2014 e, com ele, vieram as eleições de outubro, e deu no que deu.

O PT está convicto de que pelo menos 90% dos milhares de manifestantes que cobriram o asfalto da avenida Paulista votaram em Aécio Neves para presidente e que são tradicionais eleitores do PSDB.

O PSDB acha que está vacinado e não esquece que seu principal adversário, o PT, estava acossado e preocupado com o julgamento do Mensalão no STF, quando algumas de suas estrelas foram condenadas e presas na cadeia da Papuda, no Distrito Federal.

Mesmo assim, o partido elegeu Fernando Haddad prefeito de São Paulo. É um filme que passa pela cabeça do tucanato e que serve para confirmar a tese de que eleição não se ganha apenas com CPIs, mensalões, vaias, panelaço e passeatas; eleição se ganha com votos.

É inegável, porém, que o cenário de hoje favorece o PSDB por contar com três presidenciáveis “donos” de boas reservas de votos, os senadores Aécio Neves e José Serra e o governador paulista Geraldo Alckmin.

Qualquer um deles que vier a ser o candidato do partido, em 2018, disputará a sucessão de Dilma Rousseff com boa dose de chance de se eleger, porque pode enfrentar um PT combalido pela crise política e econômica, e ainda grogue.

 Mais uma vez, o adversário a ser batido nas urnas deve ser Lula, que possui um retrospecto de respeito porque se elegeu presidente duas vezes (em 2002 e 2006), depois de perder três eleições, duas para Fernando Henrique (1994 e 1998) e uma para Fernando Collor (l989). Suas maiores façanhas, no entanto, foram: eleger o primeiro “poste”, Dilma Rousseff, em 2010, contra o forte candidato do PSDB, José Serra; eleger o segundo “poste” em 2012, Fernando Haddad, novamente contra Serra.

Em 2014, Lula voltou a ser o eleitor número um do país na campanha vitoriosa de Dilma à reeleição. A convicção no PT é a de que Lula comece a campanha em 2018 – caso confirme sua candidatura - com 30 milhões de votos, no mínimo, nas pesquisas, apesar de o partido ter sido nocauteado pelo escândalo das propinas da Petrobras.

Dificilmente a eleição de 2018 deixará de ser decidida entre PT e PSDB, mantendo a tradição dos últimos 20 anos.

Os petistas acham que a imprensa está dando muita importância às pesquisas que apontam queda de popularidade de Dilma Rousseff. O partido lembra que não importa se a presidente tem 1%, ou 10%, ou, ainda, 50% ou 0% de índice de aceitação popular, porque Dilma não será candidata a nada em 2018.

Assim que transmitir a faixa presidencial ao sucessor, em 1º de janeiro de 2019, a presidente volta para casa para se alinhar ao lado da filha e do neto. O importante para o PT é que Lula consiga segurar o bom índice de popularidade que tem marcado sua trajetória na política, inclusive nas vezes em que foi derrotado.

 



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