São Paulo, 10 de Dezembro de 2016

/ Opinião

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Não há motivos para que não se desencadeie imediatamente o processo de impeachment contra a presidente

Anuncia-se que nas próximas manifestações de 12 de abril haverá dentre seus motes o “eles não entenderam nada”. Mas a julgar pela entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, nesta segunda, 23, quem não está entendendo nada somos nós, que estamos pagando a conta e ainda ouvimos, por uma toada de respeitáveis vozes e pesquisas de encomenda, que é assim mesmo.

Ou melhor, que vai continuar a ser. Por que é o que significa descartar desde já a possibilidade de impeachment de uma administração suspeita de encampar vasto esquema de corrupção.

Com isso, em português castiço, estamos diante da possibilidade da esbórnia da locupletação.

 A investigação de Dilma Rousseff pelas irregularidades acontecidas na Petrobras já vinha sendo esvaziada pelas mais elegantes manobras, e a correspondente punição, o impeachment, caso confirmada sua responsabilidade, culposa ou dolosa, acabou virando uma questão de opinião.

Tudo bem, todo mundo pode ter uma opinião, e, afinal, ninguém de bom senso pretende um linchamento político de quem quer que seja, muito menos da suprema mandatária do país. Mas a população não aceita mais a blindagem de quem quer que seja, por que motivo for.

A colocação de que aqueles que pedem o “impeachment agora não sabem as consequências que geraria e não conhecem as pré-condições necessárias para que se concretize” não é apenas uma certa soberba, é a negação da história recente desta República.

Afinal, o Brasil não derreteu por causa do processo de impeachment contra o presidente da República Fernando Collor de Mello, que culminou com sua renúncia.

O vice-presidente assumiu, deu continuidade às privatizações que o interesse nacional recomendava e não impediu qualquer investigação sobre o ocorrido no decorrer daquele mandato.

Não se afastou apenas um presidente, afastou-se uma forma de governar: autocrática, inábil e desrespeitosa à sociedade. E o Brasil seguiu o seu caminho, melhor sem dúvida, e melhor ainda com a solução vinda de sua classe política, segundo a Constituição.

Grandes nações não têm dúvidas do que para elas é mais importante: a forma pela qual são governadas.

Nos anos 70, os Estados Unidos, num dos momentos mais delicados de sua história, no auge da Guerra Fria e em plena Guerra do Vietnã, não aceitaram que o caso Watergate deixasse de ser investigado e, uma vez confirmado o envolvimento do seu presidente, Richard Nixon, instauraram o processo de impeachment que o levou a renunciar ao mandato.

Em 1969, a França mandou para casa o seu maior herói do século XX, De Gaulle, vitorioso na guerra e na política, até sobre os motins de maio de 1968, quando o país se manifestou num plebiscito nacional sobre descentralização administrativa.

Difícil para essas nações? Sem dúvida, mas ninguém ousará dizer que os Estados Unidos e a França saíram menores desses episódios.

O Brasil é um país consolidado como nação e como Estado, soberana e democrático.

Não é mais um jovem país que em 1831 foi às ruas pedir a troca do Gabinete e perdeu o Imperador. Perdeu um e ganhou outro, mais sábio, e uma classe política mais responsável, num processo histórico que custou quase dez anos de desordem e conflitos internos, mas no qual a independência e a soberania nacionais se reafirmaram.

Ai do País que não as reafirma em suas grandes decisões! O que trará consequências inimagináveis ao país não é um eventual processo de impeachment, constitucional, legal e moralmente sustentado, mas sim a continuação de uma forma de governar corrupta, ilegal e imoral.

Ou no Brasil de 2015 impeachment bom é o que vem da esquerda? Se fosse assim, em 1992 teria havido um golpe, e o que se buscaria hoje seria uma vendetta ideológica. A História não disse isso e já ensinou que aqueles que fazem da política vingança terminam mal.

A questão a ser enfrentada é outra. O que não estamos entendendo é que ainda há no país uma maneira de fazer política que insiste em entender tudo, dizendo-nos como pensar, o que é bom para nós e agora, pasmem, o que protestar. 

Já é tempo de tratar a sociedade com respeito, a começar pelo que se transmite a ela. Já é tempo de ficar claro que a lei é para todos. Já é tempo de dar um basta à corrupção que corrói a moral e o patrimônio nacionais. Já é tempo de começar a falar em impeachment, sim, como possível punição a uma responsabilidade legalmente apurada, seguido o rito constitucional a cargo do Congresso.

E se o poder que está no poder entende que não é, por querer entender por nós, então já é tempo de a voz da rua clamar mais alto.

Impeachment, Já! 

 



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