Opinião

Ingredientes para a retomada


A política monetária do BC juntamente com o andamento das reformas já produz efeitos na confiança do empresariado, que vê o futuro com mais segurança


  Por Marcel Solimeo 09 de Fevereiro de 2017 às 17:23

  | Economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo


As vendas do varejo da cidade de São Paulo caíram em ritmo intenso nos últimos dois anos. Em 2015 a retração no movimento foi de 8% de acordo com o Balanço de Vendas/ACSP.

No ano passado o encolhimento foi maior, de 8,7%, configurando o pior desempenho desde o início do Plano Real. 

O recuo menor de 5% em janeiro de 2017 traz alento. Mas, diante do atual cenário de crise e austeridade, é preciso ter cautela com o otimismo: essa queda de 5% se deve à base fraca de comparação com janeiro passado, quando as vendas diminuíram 18,4%. 

O que nos permite avaliar que a crise está perdendo força é a tendência - já consolidada – de cortes maiores na Selic pelo Banco de Central, além da trajetória de queda inflacionária, ajudada pela safra recorde.

Com isso, temos os dois principais ingredientes para acreditarmos na retomada da economia.

A política monetária do BC, juntamente com o andamento das reformas, já produz efeitos na confiança do empresariado, que vê o futuro com mais segurança.

O consumidor ainda está pessimista. Abalado pelo desemprego e pela queda salarial, ele pensa duas vezes antes de gastar.

Segundo o Índice Nacional de Confiança/ACSP de janeiro, 53% dos brasileiros avaliam sua situação financeira atual como ruim frente a 23% que a classificam como boa.

Mas eles estão mais otimistas quanto ao futuro, já que 38% acreditam que sua situação irá melhorar nos próximos seis meses, ao passo que 21% creem numa piora. 

Projeções sinalizam para uma retomada – mesmo lenta – ainda em 2017. Não necessariamente será linear: pode haver pedras no caminho.

Em fevereiro, por exemplo, é possível que as vendas caiam mais do que em janeiro (comparação anual) por conta do Carnaval, que tende a esvaziar a cidade.

É tradicionalmente um dos períodos mais fracos para o setor na capital. Além disso, este fevereiro terá um dia útil a menos em relação ao de 2016.   

De qualquer maneira, ainda que dando dois passos para a frente e um para trás, o varejo deverá chegar ao ponto de virada em 2017, abrindo caminho para um novo período de crescimento sustentável a partir do ano que vem.