São Paulo, 24 de Junho de 2017

/ Opinião

Governo Trump: o que esperar? (2)
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A nova política externa proposta baseia-se numa percepção de que o país chegou ao seu limite em pagar o alto preço político e econômico de continuar a exercer a hegemonia e manter a ordem mundial sozinho

O papel dos EUA no mundo há muito tempo é discutido entre as elites política, militar, diplomática, econômica e acadêmica americana.

Antes de entrar propriamente nas prováveis diretrizes da política externa de Trump, é preciso colocá-las dentro deste contexto mais amplo.

Estudiosos da área costumam dividir o formato de política externa que os EUA exercem no mundo em quatro grandes vertentes. As duas vertentes que primeiro surgiram e disputaram o comando da política externa no início da história americana tiveram sua origem nos “Founding Fathers”.

Havia o grupo de adeptos de Alexander Hamilton, o primeiro Secretário do Tesouro (1789-1795) – hoje chamados de “hamiltonianos”- os quais acreditavam que o país deveria estar no comando da ordem econômica global, substituindo as potências europeias (notadamente, sua antiga metrópole, a Grã-Bretanha).

As preocupações desse grupo eram, fundamentalmente, os assuntos relacionados à segurança externa e o sucesso econômico do novo país.

Para eles, os EUA deveriam interferir em assuntos globais para assegurar seus interesses políticos e comerciais, de forma pragmática. Hoje, são os adeptos da real politik, que querem a manutenção da hegemonia americana.

Na outra ponta, estavam os adeptos de Thomas Jefferson, o 3º presidente americano (1801-1809) - os hoje chamados de “jeffersonianos” – para quem os EUA deveriam definir sua atuação de modo mais estreito, optando por um distanciamento dos problemas da Europa e do mundo, sendo, por isso, “isolacionistas”.

Dentre esses isolacionistas, surgiu logo depois uma subdivisão, os chamados “jacksonianos” – adeptos do 7º presidente americano, Andrew Jackson (1829-1837) – favoráveis somente ao uso da força militar para autodefesa e para quem os EUA deveriam ser autocentrados numa forma mais radical de isolacionismo, como forma de proteger os valores tradicionais da sociedade americana.

Atualmente, os jacksonianos são representados pela autodenominada “maioria silenciosa” ou “América Profunda”, muitos deles, membros do movimento Tea Party.

Nos primeiros 130 anos do novo país, o isolacionismo acabou prevalecendo, até porque a necessidade expansão territorial do país para o oeste, as guerras regionais (contra o Reino Unido/Canadá, o México e as tribos indígenas) e a própria “Guerra de Secessão” colocava o foco “para dentro”.

A partir do fim do século XIX, e principalmente, com a Primeira Guerra Mundial, a situação começou a se modificar, pois o crescimento da importância dos EUA mostrou a relativa inviabilidade do “isolacionismo”, em especial, em sua forma mais radical.

Surgiu, então, a última grande vertente: ao invés de isolamento (em sua versão light ou radical) ou a pura defesa pragmática dos interesses, passou a existir uma quarta linha, os “internacionalistas” – ou “wilsonianos” – que são aqueles adeptos das idéias de Woodrow Wilson, o 28º presidente americano (1913-1921).

Para este grupo, os EUA teriam o papel de criar um sistema global baseado não apenas numa economia liberal de mercado, mas também em instituições multilaterais para a governança mundial e valores como democracia e direitos humanos.

Os EUA, segundo essa visão, teriam a missão de espalhar a “revolução americana” pelo mundo e influenciar a mudança de regimes políticos para tornar os países mais “abertos”, não apenas defender seus interesses, mas para “moldar o mundo”.

O último século de política externa americana, desde o fim da Grande Guerra (1914-1918), quando os EUA ascenderam como superpotência, foram marcados pelo debate entre essas quatro correntes.

A presidência de Wilson marcou a primeira vitória dos internacionalistas e as negociações de paz de 1919 - nos quais países como Tchecoslováquia foram inventados, monarquias extintas e a Liga das Nações foi criada - são o símbolo das ideias wilsonianas.

Após o fim dos dois mandatos de Wilson, no entanto, os EUA abandonaram a Liga das Nações com a sucessão de três presidentes republicanos isolacionistas e o “internacionalismo wilsoniano” só voltaria a reaparecer mais tarde com Roosevelt e Truman, cujos governos foram responsáveis por criar toda a governança global do pós-guerra, com a institucionalidade das Nações Unidas, os acordos de Bretton Woods, dentre outros.

Após o fim da Segunda Guerra, com as potências europeias destruídas e a URSS ávida para expandir a influência do comunismo, o isolacionismo deixou de ser opcional. A questão era: ou os EUA assumiriam seu papel de superpotência e protagonista ou, caso contrário, os soviéticos avançariam.

Neste cenário, os antigos isolacionistas tiveram que ceder, a contragosto, às teorias de contenção e equilíbrio de poder - tornando-se mais “hamiltonianos” e pragmáticos, de certa forma - enquanto os internacionalistas wilsonianos exacerbaram seu intervencionismo, aderindo às ideias de governo global, ou seja, ao globalismo.

As duas visões foram se intercalando até que, com a ascensão dos neoconservadores no Partido Republicano, a partir dos anos 1990, houve um consenso internacionalista e intervencionista entre os dois partidos, com certa hegemonia da abordagem wilsoniana.

Isso ocorreu porque, apesar de serem considerados “conservadores” no campo moral, os neocons republicanos possuem uma agenda de relações internacionais revolucionária igual à dos Democratas. Muitos neocons eram intelectuais de esquerda (alguns eram até Democratas na origem, outros eram trotskystas) - adeptos das ideias de Leo Strauss e kantianos que acreditam na “Paz Mundial”, conseguida, obviamente, pela Pax americana - que acabaram migrando para o partido Republicano.

Daí explica-se porque a política exterior de Clinton, Bush II e Obama se pareçam tanto: ambas possuem a mesma visão e ideologia, promovendo intervenções militares diretas ou indiretas para “instalar a democracia” (um discurso tipicamente wilsoniano), servindo ao objetivo globalista de manter e expandir o poder militar e político dos EUA no mundo inteiro, usando o país como base para moldar a ordem mundial e, no fim, diluir a própria soberania americana em diversas organizações multilaterais e favorecer a formação do governo global.

Com a ascensão de Trump, entretanto, esse consenso foi desfeito de maneira abrupta, com um discurso em grande parte contrário aos interesses das elites políticas e empresariais do próprio partido Republicano, adeptas do internacionalismo wilsoniano.

Por isso, sua candidatura não recebeu apoio de importantes figuras do partido como Mitt Romney, a família Bush, John McCain e Condolezza Rice, todos, em maior ou menor grau, wilsonianos e globalistas.

Entretanto, sua candidatura cativou justamente os verdadeiros conservadores e o “cidadão comum”, que são sensíveis a uma pregação do tipo jacksoniana e são a base do partido Republicano. Ou seja, a “base” suplantou a “elite” e impôs a vitória de Trump nas primárias.

O novo presidente apresenta-se como uma espécie de “neoisolacionista”: sua retórica possui cores jacksonianas (e um pouco hamiltonianas) e uma forte rejeição às ideias internacionalistas e globalistas de Wilson.

Para Trump, o poder militar americano deve servir para proteger seu país e aliados e manter a ordem global sob domínio dos EUA, sem, entretanto, interferir em assuntos internos de outros países.

Por isso, fala-se de um aumento no gasto em defesa para garantir um "domínio militar inquestionável", embora se diga sempre que a força militar só deva ser usada como último recurso.  

Com base nessa mentalidade jacksoniana moderna, quais serão as diretrizes da administração de Trump no campo internacional?

Em primeiro lugar, seu plano é ambicioso: pretende enterrar a abordagem política que se iniciou com Wilson e influenciou a Casa Branca desde então e, com sua pregação de cores isolacionistas, contestar a ordem mundial e o papel da política externa americana dos últimos anos, remodelando ambos, com a revisão dos acordos feitos pós-segunda guerra mundial.

As ações da política externa americana nos próximos anos levarão ao abandono total das guerras de desestabilização e troca de regimes políticos

Com isso, haverá renegociação de alianças, transferência de responsabilidades do país para aliados e substituição de instâncias multilaterais por negociações bilaterais, de forma a rebalancear a atuação dos americanos no mundo.

Os aliados serão chamados a pagar uma maior parte da conta, pois há uma clara percepção de que os EUA têm dado mais ao resto do mundo que o contrário, e isso está custando muito caro para o país, tanto em termos econômicos (déficits comerciais gigantescos, dívida pública crescente) como em termos políticos (altos gastos em segurança no exterior, desgaste das Forças Armadas e crescimento do antiamericanismo).

Daí por que Trump fala que os EUA não podem ser a “lixeira dos problemas do mundo” e, portanto, buscará soluções individualistas caso o resto do mundo não queira colaborar.

Pode-se inferir que as ações da política externa americana nos próximos anos levarão ao abandono total das guerras de desestabilização e troca de regimes políticos e focará na manutenção do equilíbrio entre países e regiões, além da  transferência de parte do “fardo” da segurança para os aliados.

O novo governo rejeita o papel de “polícia do mundo” e acha que os americanos não devem se engajar em invasões para “impor a democracia” e “balcanização” de países.  Trump já classificou a decisão de Bush de invadir o Iraque como “a pior na história dos EUA”.

Portanto, o enfoque intervencionista da “Doutrina Bush” e a política de Obama de apoio à Primavera Árabe e aos rebeldes na Síria - cujo objetivo era remover todos os regimes árabes seculares por “regimes democráticos”, que, entretanto, levaram extremistas ao poder e criaram o ISIS - será rapidamente abandonada.

Para Trump, “antes dessas intervenções desastrosas, não havia Estado Islâmico, o Egito era um aliado confiável, o Iraque se estabilizava, a Síria estava ‘sob controle’ e a Líbia era previsível”.

Em termos práticos, no Oriente Médio, a "prioridade número um", será desmantelar o acordo com o Irã. É possível que sanções voltem a ser impostas, impedindo que o país persa rompa o equilíbrio nuclear da região.

Dentro dessa linha de ação, ficam claros os motivos para a nomeação do general James “Mad Dog” Mattis, para o Departamento de Defesa (primeiro general desde George Marshall, nos anos 1950, a dirigir o Pentágono) e de Mike Pompeo para assumir o comando da CIA. Ambos consideram o Irã a maior ameaça à instabilidade da região, por ser o grande financiador do terrorismo e apoiador do Hezbollah no Líbano.

Outra prioridade será reestabelecer a antiga aliança com Israel, apoiando incondicionalmente o Estado judeu, que seria a base para deter a expansão do islã jihadista.

O símbolo dessa política será reconhecer Jerusalém como a capital "unificada" de Israel, rever a política de dois estados e, a partir disso, atacar terroristas, destruir o Estado Islâmico e estabilizar a região, desfazendo totalmente o "legado" de Obama.

Os EUA também deverão participar ativamente das discussões sobre a Síria e a resolução do conflito deverá ser a manutenção do status quo e estabilização do regime baathista. Os americanos deverão se abster de apoiar os grupos rivais do ditador Assad, aliado dos russos, deixando de antagonizar a Rússia.

Além disso, vão unir esforços para combater terroristas islâmicos e qualquer regime muçulmano radical que surja, aceitando a parceria pontual com Putin nessa questão.

Nesse sentido, Rex Tillerson, ex-CEO da Exxon Mobil, foi escolhido a dedo para Secretário de Estado, numa clara intenção de fazer a "detente" da “2ª Guerra Fria”.  O paralelo mais claro aqui é com Ronald Reagan, que também estabeleceu uma ótima relação com Gorbachev, acelerando o fim da União Soviética e provocando a queda do Muro de Berlim e da Cortina de Ferro, o que foi muito benéfico para o mundo.

Presume-se também que haverá uma grande modernização do arsenal nuclear americano que conta com equipamentos antigos de até 30 anos de idade como forma de suplantar a Rússia, que já está no mesmo nível tecnológico dos EUA em matéria militar, com caças modernos, porta-aviões e ogivas capazes de atingir qualquer lugar do globo.

Trump considera a Rússia como uma ameaça militar e geopolítica, mas não uma ameaça econômica. E militarmente ela pode ser contida pela dissuasão e com negociação.

Essa mudança de tratamento da Rússia também objetiva tentar distanciar Moscou e Pequim, que apesar de terem assinado uma série de acordos militares, econômicos e tecnológicos – embutidos no Pacto de Xangai - possuem diversos interesses divergentes, inclusive em relação às suas próprias fronteiras.

Os encontros de Trump com Henry Kissinger (ex-secretário de Estado de Nixon e conselheiros de vários presidentes) – que considera a Rússia como elemento essencial para o equilíbrio global - parece sinalizar essa intenção de voltar à política de “equilíbrio de poder” e do “grande jogo”, temas nos quais o ex-secretário é perito.

Também na Ásia, a política será de contenção e manutenção do status quo. A China é tanto uma potência econômica ("criada" pelo capitalismo americano e ocidental), como uma potência militar e a nova política exterior americana vai tentar contê-la economicamente como prioridade número um e secundariamente, contê-la no plano militar (nesse ponto, com a aproximação com os russos e com transferência de responsabilidade para aliados asiáticos).

O presidente tem dado declarações ambíguas sobre a política de “uma única China” estabelecida pelo próprio Kissinger -, que permitiu o acesso dos chineses ao Conselho de Segurança da ONU e a abertura comercial da China, que a tornou um dos pilares da prosperidade mundial – justamente para exigir mais vantagens comerciais na relação com os chineses. Daí a sinalização imediata para Taiwan com o “polêmico” telefonema e a quebra de protocolos na relação com Pequim.

Haverá uma continuação do engajamento militar do Japão (o que vem sendo feito desde Bush, quando os nipônicos participaram da invasão do Iraque em 2003), relaxando a proibição dos japoneses de possuírem forças armadas e, eventualmente, incentivando-os a sair do guarda-chuva nuclear dos EUA, ao construírem seu próprio arsenal militar rompendo uma diretriz consagrada da busca pela não proliferação de armas nucleares.

Aqui há a clara intenção de "obrigar" o Japão a "dividir a conta" dos gastos de defesa na Ásia. Política semelhante deverá ser posta em prática com outro aliado asiático, a Coreia do Sul, que será chamada a gastar mais com Defesa e aliviar a responsabilidade dos EUA na dissuasão da Coreia do Norte.

Especialista em petróleo, Tillerson também deverá ter os olhos voltados para grandes produtores como Venezuela e Colômbia.

Para os primeiros, deverá buscar uma “transição negociada” para acabar com o chavismo. E na Colômbia, ficará atento aos detalhes do recente “acordo de paz” com as FARC.

Com a normalização dos dois países, em especial, a Venezuela, os preços de energia deverão baixar fortemente ajudando a economia americana e prejudicando as aspirações russas e iranianas, que dependem do petróleo. O Brasil poderá ter um papel importante nessas negociações caso se coloque como aliado americano na região.

A relação mais complicada na América Latina será com o México, pois além do NAFTA, haverá a construção do muro, com o objetivo simbólico de retomar o controle das fronteiras. Logo na primeira semana do governo, já foi assinado o decreto para construir o muro, aumentar a fiscalização migratória interna e punir “cidades-santuário” que limitam cooperação com funcionários da imigração e protegem imigrantes ilegais, além de suspender a concessão de vistos para cidadãos da Síria e de outros seis países instáveis, com governos caóticos e com intensa atividade terrorista jihadista.

O general da reserva John Kelly, nomeado para o Departamento de Segurança Interna, será responsável por frear o terrorismo. Já o senador republicano Jeff Sessions, linha-dura em relação à imigração, foi escolhido como Procurador Geral do Departamento de Justiça para “recuperar a soberania das fronteiras”, apertando o cerco contra os ilegais e acabar com os cartéis do narcotráfico e organizações criminosas transnacionais que têm aproveitado da porosidade da fronteira para “se espalharem por todo o país” e fazerem o consumo de heroína e as mortes relacionadas dispararem nos últimos anos.

As duas escolhas e as primeiras “executive orders” sobre o tema mostram que o atual governo será bastante duro nesse assunto, conforme prometido em campanha.

Na sua relação com a Europa, os aliados europeus também serão chamados a assumir uma parcela maior do encargo econômico por sua própria defesa.

O governo americano deverá pressionar a OTAN a aumentar as despesas militares, pois somente quatro dos 28 países-membros, além dos EUA, cumprem o gasto mínimo requerido de 2% do PIB na Defesa. Trump acusou a organização de “obsoleta” por não combater o terrorismo e deverá fazer uma rediscussão interna da aliança.

Ainda em relação à Europa, Trump definiu a União Europeia como um instrumento do domínio alemão que tem o objetivo de fazer frente aos EUA comercialmente e economicamente: o bloco seria “um meio para um fim da Alemanha”.

O governo americano cultivará boas relações com políticos anti-UE como o britânico Nigel Farage e a francesa Marine Le Pen, e vai trabalhar para a desintegração do bloco.

Um dos primeiros acordos bilaterais negociados por Trump deverá ser com o Reino Unido, como forma de apoiar o Brexit e forçar novas saídas do bloco europeu até a sua fragmentação completa. Não por coincidência, no dia seguinte do referendo britânico, Trump estava no Reino Unido para saudar Farage e dar seu apoio (Farage fez o mesmo ao discursar em comícios de Trump), numa clara indicação de que pretende reeditar a parceria estratégica mais antiga do mundo, a parceria anglo-americana, que possui mais de 200 anos, desde a assinatura do Tratado Jay.

Em termos mais gerais, Trump não acredita na ideia de “governança global” e discute a existência da própria ONU, uma organização que, segundo ele, “não aproveita o seu potencial para resolver problemas” e seria “uma perda de tempo e dinheiro”.

Sob o ponto de vista das relações internacionais, as Nações Unidas dão espaço para uma ampla pregação antiamericana que constrange os EUA, adotam posições sempre favoráveis a regimes autoritários, condenam as ações israelenses, “justificam” o terrorismo islâmico e defendem a pauta de “fronteiras abertas”, favorecendo a imigração islâmica em massa para os países europeus.

Mais do que uma organização ineficiente, a ONU teria virado uma agência avançada do globalismo, difundindo todas as pautas culturais diametralmente opostas à “América Profunda”: abortismo, gayzismo, ambientalismo, doutrinação nas escolas, multiculturalismo e um anticristianismo fanático sob a égide politicamente correta do ecumenismo religioso.

A organização ainda é um foco terrível de escândalos de corrupção invariavelmente mancomunados com ditadores mundo afora. O presidente já anunciou que pretende cortar drasticamente o financiamento americano para a ONU com o objetivo de enfraquecê-la.                        

Em suma, a nova política externa proposta baseia-se numa percepção de que embora os EUA tenham uma força geopolítica inigualável, o país chegou ao seu limite em pagar o alto preço político e econômico de continuar a exercer a hegemonia e manter a ordem mundial sozinho.

Por um lado, o governo americano focará numa busca mais pragmática e estreita dos interesses americanos - que terão prioridade em detrimento de acordos multilaterais econômicos e militares - com maior seletividade em como usar seu poder no mundo, abstendo-se de defender “valores” como a democracia e moldar regimes, de forma a economizar recursos tanto financeiros como políticos.

Por outro lado, a diplomacia terá que ponderar como os EUA poderão se livrar do peso da responsabilidade internacional – abdicando de ser a “polícia do mundo” - sem criar um vácuo que cause uma desestabilização indesejada ou sem que o consequente realinhamento global possa abrir caminho para outras potências ocuparem o lugar dos americanos. Isso exigirá esforços diplomáticos e ampla rediscussão de antigas alianças, bem como a reconfiguração de prioridades, em um complicado jogo de “equilíbrio de poder” e redistribuição de responsabilidades entre aliados.

Conjugar esses dois ambiciosos movimentos - adotar um viés isolacionista sem perder a hegemonia - será o principal dilema da política externa de Trump.  

No próximo artigo, discuto sobre a “Trumpnomics”, ou seja, como deverá ser a abordagem para a economia sob o governo Trump.

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Temos de resgatar e reunir as verdadeiras elites sociais brasileiras para a ocupação da cena política e expulsar as organizações criminosas que tomaram conta do Estado brasileiro

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A qualidade de vida dos brasileiros está recuando a níveis do passado, em vez de crescer como os demais países em desenvolvimento

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Somos contra o AR porque prejudica consumidores, famílias, empresas, além de ser sete vezes mais caro do que a carta simples.

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