São Paulo, 25 de Março de 2017

/ Opinião

Excelência é excelência
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O que importa é a competência de gestão dos escolhidos para o Ministério. Não parece ter sido essa a preocupação da presidente Dilma

Em meio a esta crise na economia, na gestão pública, nas desconfianças em relação aos políticos, a escolha do novo Ministério não contribuiu com nada. Nomes partidários, regionais, muitos maculados por episódios de legitimidade duvidosa e outros que já entraram até para o anedotário nacional, como o que levou a sogra para a Europa em avião fretado por Estado nordestino pobre.

No Brasil, já se recrutou ocupantes de altos cargos pelo mérito, sem a menor preocupação de opção partidária ou ideológica. O presidente FHC, por exemplo, levou para o Ministério da Saúde o notável Dr. Adib Jatene, descoberto para o setor público pelo governador Paulo Maluf, que o fez seu secretário de Saúde. Pesou o mérito.

Já Tancredo Neves foi buscar, primeiro para a Cemig e depois para a Eletrobrás, o maior nome de nosso setor elétrico na época, Mario Bhering, que havia presidido a Eletrobrás com o presidente Médici nos primeiros passos da Itaipu. No setor elétrico atual, a presidente Dilma levou para Furnas o engenheiro Flávio Decat, competente gestor, homem de caráter, que havia sido diretor da Cemig no primeiro mandato de Aécio Neves.

A lista recente é imensa. O campeão de safras, Pratini de Morais, foi ministro de Collor e de FHC, e surgiu, muito jovem, na excelente equipe (uma das melhores da República) formada pelo presidente Médici. E os militares, que nomeavam com fichário na mão, mantiveram quase o tempo todo na direção da Vale, com plenos poderes, Eliezer Batista, que foi ministro de Jango.

Quando muito jovem, fui trabalhar com o governador Negrão de Lima e, na semana da posse, muitos médicos disputavam a Secretaria da Saúde e os hospitais mais importantes da cidade. Perguntado por alguém a quem nomearia para o Miguel Couto, indagou: “Mas lá não está o Nova Monteiro?” “Sim, mas ele é lacerdista”, disseram. Negrão riu e disse: “Com aquela competência e dedicação, pode ser o que quiser”.

Talvez a grande saída da presidente venha a ser atender aos políticos nos pedidos de obras para suas regiões eleitorais e nomear quadros de excelência para os cargos públicos, para restaurar a competência e a austeridade que o país reclama. E o mundo acompanha.

Ao que tudo indica este Ministério não chegará ao completar seis meses. A Presidente já deve ir pensando mais nos méritos e menos na política.

 



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