Opinião

Efeméride brasileira


Hoje, o nosso grande inimigo é o crime, que invadiu o Brasil, não somente o seu território, mas todas as instâncias da vida social, desde as mais altas, institucionais, onde campeiam a prevaricação e a corrupção


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 30 de Janeiro de 2017 às 17:09

  | Historiador


Na data de ontem, em 1635, “Martim Soares Moreno, acompanhado pelo Capitão Rebelo, destacado por Matias de Albuquerque, sustenta escaramuças no monte Miribiti com uma forte coluna de holandeses, comandada por Arciszewsky. Os nossos, prosseguindo na retirada, entram nas matas do Engenho Muçurepê, margem direita do Capibaribe.”

Este foi um dos registros feitos nas Efemérides Brasileiras, o livro “mais popular e versado do Barão do Rio Branco”, nas palavras de Rodolfo Garcia. Nesses 382 anos, o Brasil passou por outras situações dramáticas. Foi invadido, atacado e teve que enfrentar inimigos mais ou menos poderosos, mas sempre audaciosos. 

Venceu todos e se consolidou como um dos maiores países do mundo.

Rio Branco se tornou famoso por arrematar na arena diplomática as vitórias que reconheceram as fronteiras brasileiras.

O que não é tão conhecido é o seu papel como historiador, de fato o maior historiador militar do Brasil. Para poder defender o Brasil com a pena, Rio Branco escreveu a História de quem defendeu o Brasil com as armas. 

Ele sabia que nações sem memória estão condenadas ao esquecimento e destinadas ao fracasso, algo com que os brasileiros do século XXI parecem não estar preocupados, depois de décadas de lavagem cerebral esquerdista que levaram a este miserável estágio de cívico-masoquismo. 

Hoje, o nosso grande inimigo não é o que cruzou o oceano  para  escrever a sangue o endereço do Brasil, parafraseando o nosso maior sociólogo, Gilberto Freyre. Nem o que violou nossas fronteiras, matando e roubando brasileiros nas terras onde habitavam há gerações.

Hoje, o nosso grande inimigo é o crime, que invadiu o Brasil, não somente o seu território, mas todas as instâncias da vida social, desde as mais altas, institucionais, onde campeiam a prevaricação e a corrupção, até as camadas mais pobres da população, nas favelas, sertões e periferias onde o tráfico impõe a sua própria lei e cobra o seu tributo em sangue.

A importância e o significado de um fato ou de um acontecimento costumam levar algum tempo para se revelar.  E há até quem queira suprimi-los ou minimizá-los.

Mas em termos existenciais ou prospectivos, há em cada situação o fato que porta futuro, cabendo a nós fazer o que importa: o que fazer com ele.

Da data de hoje, daqui a cem anos, oxalá possam os brasileiros ler a Efeméride:

30 de janeiro

2017 – A Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministra Carmem Lúcia homologa as delações dos executivos da construtora Odebrecht, desfazendo o impasse que ameaçava o processo do maior caso de corrupção da História do País, depois da surpreendente morte em acidente aéreo do Ministro relator Teori Zawaski. A decisão da Presidente do STF marcou posição institucional que levou à progressiva moralização da vida pública do Brasil com uma série de consequências vantajosas.  

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