São Paulo, 10 de Dezembro de 2016

/ Opinião

É duro remar contra a maré
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O PSDB precisa encontrar a fórmula para neutralizar a força da máquina de fabricar votos que Lula criou no País e que tem beneficiado o seu partido

A derrota de Aécio Neves coloca o governador reeleito Geraldo Alckmin e o senador eleito José Serra, ambos tucanos paulistas, no jogo da sucessão presidencial em 2018. Se Aécio tivesse sido eleito, Alckmin e Serra não teriam a mínima oportunidade de reivindicar a legenda presidencial do PSDB, porque o senador mineiro ganharia o direito de concorrer à reeleição.

Alckmin se reelegeu no 1º turno com 58% dos votos e entende que seu cacife eleitoral se fortaleceu para pleitear uma segunda candidatura ao Palácio do Planalto. Na primeira tentativa, ele perdeu a eleição para Lula, em 2006. Como Serra e, sobretudo, Aécio Neves também foram excepcionalmente bem votados, a briga entre os três pela legenda tucana, daqui a quatro anos, será inevitável.

O PSDB precisa encontrar a fórmula para neutralizar a força da máquina de fabricar votos que Lula criou no País e que tem beneficiado o seu partido. Se não conseguir, difícilmente o PT vai perder uma eleição de presidente da República.

Essa máquina foi novamente responsável para que Dilma Rousseff conquistasse a reeleição. Ela serviu para eleger Dilma em 2010 e, dependendo do andar da carruagem, será útil novamente em 2018, principalmente se Lula for novamente o candidato do PT.

Tem sido difícil para o PSDB, que encarnou o papel de principal partido de oposição, remar contra a maré, quando a eleição é presidencial. O desempenho do PSDB na eleição de domingo foi excepcional, pois Aécio Neves alcançou pouco mais de 50 milhões de votos, superando as votações anteriores de Serra e Alckmin, embora insuficientes para derrotar Dilma.

A queda de Aécio nas pesquisas do 2º turno ocorreu, por coincidência, depois do apoio explícito de Marina Silva à sua candidatura, em especial quando ambos apareceram lado a lado em fotografias divulgadas por jornais e revistas e exibidas na TV.

Provavelmente, muitos eleitores levaram em conta o fato de Marina ser considerada uma lulista de carteirinha e que só teria se associado à campanha de Aécio devido à antiga rixa que sustenta com Dilma, desde a época em que as duas eram ministras no governo Lula. Marina sai da eleição deste ano duplamente derrotada para criar seu próprio partido, o Rede Sustentabilidade.

Finalmente, os críticos exageram ao julgar baixa a votação de Dilma Rousseff em São Paulo. A presidente obteve nas urnas paulistas mais de 8 milhões de votos válidos, enfrentando a poderosa máquina administrativa do governo estadual; o governador reeleito Geraldo Alckmin, o agora senador José Serra; o vice de Aécio, senador Aloísio Nunes Ferreira e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

No 1º turno, Dilma obteve em São Paulo 25% dos votos válidos e, no 2º turno, alcançou 35%, graças também à iniciativa do ministro Guilherme Afif Domingos, que aprimorou e estendeu para centenas de outras empresas no País as benesses do Simples Nacional. Embora integre o ministério há pouco tempo, Afif tem se destacado como um dos homens mais eficientes da equipe de Dilma.



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