E segue a cultura do errado


O brasileiro não é apenas deseducado por não possuir informações corretas, mas porque é estimulado a comportamentos que condizem com a chamada "cultura popular"


  Por Paulo Saab 18 de Fevereiro de 2015 às 00:00

  | Jornalista, Bacharel em Direito, professor universitário e escritor.


Entendo que determinados temas precisam ser reprisados para que sua compreensão, por parte dos inocentes e dos malfeitores, fique registrada.

Por isso volto a dizer que há algumas distorções no cenário da vida do país que remontam à mesma origem, uma espécie de pecado capital da nacionalidade: a falta de educação.

É chato admitir isto. Mas somos, e os índices mundiais de medição estão disponíveis, um país deseducado. O brasileiro médio não tem educação. Nem no sentido de alfabetização, de entendimento, de conhecimento, nem no de refinamento cultural. Aliás, nem cultural, quanto mais refinamento.

Só não vê quem não quer ver, ou quem quer sempre manipular a massa ou os de má fé. E como os há.

Em vez de valorizar a busca do conhecimento, o investimento na aprendizagem, o culto ao aprimoramento, somos um país que, a título de exaltar suas raízes populares, endeusa o errado.

Se a população é quase toda semianalfabeta, quando o certo seria buscar instrumentos de dar-lhe formação, enaltece-se essa “qualidade” na propagação de “chavões” que consagram o errado.

Fica bonito dizer “é nóis na fita”. Fica bonito dizer que grupos de pessoas “são um bando de loucos”, e se dá ênfase na propagação dos erros de português, como se defender o aprendizado correto para todos fosse uma espécie de renegação do amor à pátria, ou ofensa aos que vivem na ignorância.

Querem estar certos os que pregam, por meios indiretos, com nítida má intenção de cativeiro intelectual que se traduz em voto, a apologia da pequenez dando-lhe o rótulo de “cultura popular”.

A verdadeira cultura popular seria educar maciçamente a população manipulada em sua falta de discernimento, em sua boa-fé.

Fazem um barulho enorme minorias que defendem “direitos” nem sempre muito nítidos, que fazem jogo de partidos, de ideologias fora de contexto.

Meia dúzia de gatos pingados, barulhentos por estratégia, determinam a pauta da mídia de massa, viciada também em se arvorar defensora de “direitos”, da liberdade de expressão, enquanto sonegam à maioria silenciosa o direito de serem exaltados valores que as maiorias cultuam, ainda que por instinto de sobrevivência.