São Paulo, 28 de Junho de 2017

/ Opinião

Doença moral
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O que pode haver de comum entre o “erro” da premiação do Oscar, o desfile de carnaval com a imagem de Nossa Senhora de Aparecida e a folia dos blocos carnavalescos no Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial?

Muito diferentes na aparência, mas nem tanto na linguagem e no apelo, o Oscar de Holywood e o Carnaval do Brasil estão entre os espetáculos mais  assistidos do planeta.

Pelos seus atrativos, ambos funcionam como poderosos instrumentos de formação de opinião, e foi o que fizeram, de novo, neste ano, de forma mais espetacular nos Estados Unidos, na noite de domingo passado, e durante o último final de semana no Brasil.

Sua repercussão foi bem trabalhada pela imprensa. Quanto ao efeito do que aconteceu em Los Angeles, São Paulo e Rio de Janeiro, isso vai depender da assimilação pela sociedade de eventos que não tiveram nada de acidental, mas foram sim perfeitamente intencionais.

O que pode haver de comum entre o “erro” da premiação do Oscar, o desfile de carnaval com a imagem de Nossa Senhora de Aparecida e a folia dos blocos carnavalescos no Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial?

A ideia de que a finalidade e o propósito das coisas devem ser alterados.

O Oscar de melhor filme em 1990, concedido a “Conduzindo Misses Daisy”, e  o de 1994, de melhor ator para Tom Hanks e de melhor música em “Filadélfia”, foram prêmios de arte para artistas.

Bem diferente do que aconteceu no Teatro Dolby, em Holywood, durante a 89a premiação do Oscar no último domingo, quando a política superou a arte.

Com isso, a sétima arte deixa de ser a grande experiência da expressão para se  transformar em instrumento de ação, que precisamente por sê-lo dos profissionais da expressão representa a maior ameaça que pode se colocar à  sua liberdade.

Por sua vez, a evangelização católica, que passa pelo acolhimento na Igreja das gentes em sua diversidade, tem, sem dúvida, muitas expressões. Porém, por mais esforçadas que sejam as explicações que não justificam, o deslocamento de uma figura litúrgica e dogmática para o campo lúdico beira o barrbarismo.

DESFILE DA UNIDOS DE VILA MARIA, EM SP

Dessa forma, o transcendente para uma imensa maioria é arrastado para a mundanidade de uma minoria, com o sagrado se tornando profano.

Já o campo santo dos soldados é duplamente sagrado, como lugar de culto aos mortos e de celebração cívica do supremo sacrifício, da própria vida, em prol da comunidade submetida à mais dura prova, que é a guerra. Trazer a folia carnavalesca à beira de um mausoléu, por mais  casual que possa parecer, é acinte e deboche.

CONCENTRAÇÃO DO BLOCO SARGENTO PIMENTA, NO RJ

Apresentada e reapresentada no noticiário de várias mídias, como se natural fosse, é a maneira segura de roubar definitivamente à sociedade o respeito a ela mesma.

Estamos falando de que então? De Estados Unidos, de Brasil? De conspiração internacional? De subversão?  Absolutamente.

Estamos falando de Ocidente, essa mais que milenar construção de valores e ideias compartilhada por europeus e americanos das três Américas.

E estamos falando de algo que não se faz às escondidas, mas todos os dias, às claras, das mais diversas formas, cada vez mais alienantes.

Tony Judt, o mais bem sucedido pós-marxista de nossa modernidade, já explicou como o derivativo marxista do relativismo sartreano foi aculturado na Costa Oeste americana.

De lá brotou a fina flor do radicalismo militante: feminista, racialista e sexista. E de Holywood vieram seguidas fantasias ideológicas, como a do Robin Hood socialista na Idade Média e a do Noé anti-industrial numa pré-História virtual.

Não poderiam deixar de chegar aqui os efeitos dessa “fábrica de modas intelectuais”, no dizer de Paul Johnson.

Primeiro, nos anos 50, diretamente na USP, tornada o epicentro replicante do processo de marxização do meio acadêmico brasileiro.

E depois, em permanente intercâmbio com a Califórnia nos 60 e 70, onde se metabolizaram as novas interpretações sociológicas do Brasil que acabaram por implantar a cópia grosseira das ações afirmativas na inconstitucional política de cotas.

Estamos falando, portanto, de algo em que nos encontramos todos metidos e que a todos atinge, indistintamente, americanos, brasileiros e europeus. E  mais do que as ameaças geopolíticas e civilizacionais que pesam contra este Ocidente, estamos falando de algo a ele inerente, nas suas contradições e incertezas que fazem parte de sua construção e evolução.

Estamos falando do profundo compromisso de autodestruição de nossa civilização por parte de quem se empenha de todas as formas, não em reforma-la ou aperfeiçoa-la, mas em refunda-la, em bases totalmente diferentes.

Estamos falando da mais ampla, densa e influente formulação do pensamento ocidental desde o Tomismo.

Que de tanto se esforçar para alterar o senso comum; de tanto pregar o relativismo em padrões e julgamentos; de tanto atacar as instituições; de tanto inverter o normal; e de tanto mudar de forma para atingir o seu objetivo permanente deixou de ser a ideia grandiosa que pretendia refundar a Humanidade.

Estamos falando do marxismo ocidental. Não uma corrente de pensamento, mas a maior doença moral da Humanidade.

FOTOS: Fernando Maia/Riotur e Paulo Pinto/Agência Brasil

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A publicação da MP 764 é uma grande vitória da sociedade brasileira que passa a exercer agora um direito fundamental: a liberdade de escolha

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Quem brada, nervoso, por diretas já agora é alguém interessado em tumultuar mais ainda o país, ou um ignorante em relação à Constituição

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Temos de resgatar e reunir as verdadeiras elites sociais brasileiras para a ocupação da cena política e expulsar as organizações criminosas que tomaram conta do Estado brasileiro

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