São Paulo, 25 de Junho de 2017

/ Opinião

Do rolo ao nó
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Em um país de enrolados graúdos, o rolo haveria de ganhar foros de legitimidade, quem sabe até com alguma pompa e circunstância

O episódio da absolvição da chapa Dilma-Temer pelo TSE no último dia 9/06 mostra que está sendo institucionalizado o melhor negócio no Brasil das últimas décadas: o escritório de rolo, onde se vende o que não tem, recebe-se o que não deve e paga-se com o que não é seu.

Faz sentido, infelizmente. Em um país de enrolados graúdos, o rolo haveria de ganhar foros de legitimidade, quem sabe até com alguma pompa e circunstância.

Com tanta gente poderosa cada vez mais enrolada, o outrora prosaico lugarzinho ganhou espaços antes impensáveis.

O rolo serve para não resolver nada. E o profissional do rolo é aquele perito em criar engano após engano, de porta em porta, até fazer prosperar o erro do qual se beneficiará.

Esse pode ser um meio de vida, condenável por certo, mas jamais o traço de uma coletividade, muito menos de uma nação.

Nenhum país fica impune errando tanto por tão longo tempo, como está insistindo o Brasil em fazer.

Perto de nós temos dois exemplos acachapantes: Venezuela e Argentina, vítimas de erros antigos com nomes novos: bolivarianismo e kirchnerismo.

O nosso erro também tem nome antigo, porém com instrumentos para lá de atuais: corrupção.

O Brasil está descobrindo, quem sabe a tempo, como esse erro funciona e para que serve: fazer política, da pior espécie.

Mas também está descobrindo, talvez tardiamente, o quão longe chegou essa teia.

É por aí que se entende o que ocorreu na sexta-feira passada. Mais do que eventual crime de abuso de poder político e econômico, por meio de financiamento ilegal de campanha, o que esteve em julgamento foi a corrupção política.

O julgamento foi histórico sim, mas de péssima memória. Referendou o que já ocorreu na nossa História, fazendo o País voltar àquela situação em que as eleições não se decidem nas urnas, mas a bico de pena, dos registros falsificados de antigamente até os registros de propina de hoje.

A sociedade espera que as lideranças políticas e as autoridades constituídas do País atuem de forma legítima e responsável, estritamente dentro da Lei, para por fim à crise que escala perigosamente.

Agora circulam notícias de que, em algum puxado da República, esboçam uma ofensiva contra a Lei.
O rolo pode virar nó, e cego.

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As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

 



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