São Paulo, 27 de Março de 2017

/ Opinião

Deslumbramento fatal
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Um sábio observador da política e da história disse certa vez que “não há vinho que mais embriague do que o poder e a fortuna”. O prefeito Eduardo Paes parece que tomou deste vinho

O poder corrompe e faz corromper. Esta é a conclusão que se chega depois de tantos malfeitos por tantos personagens da vida política e empresarial do Brasil, até no meio jornalístico, com esta lista de apoiantes remunerados via blogs.

E mais: altera personalidades, despertando instintos grosseiros, autoritários e desonestos, ideologicamente ao menos.

As gravações são chocantes, a começar pelo palavreado chulo de conversas de altas personalidades do país. Sabe-se que a maioria não teve oportunidade de aprender em casa ou nas escolas, mas o sucesso na vida poderia ter aportado um mínimo de educação e compostura.

Caso dos mais tristes  tem sido a mudança de comportamento do prefeito do Rio, Eduardo Paes, um rapaz de boa índole, boa origem familiar e social, vitorioso na carreira política sempre ascendente.

No entanto, o poder e a oportunidade de fazer história, com uma gestão ousada e altamente positiva, reconhecida internacionalmente, acabou tornando seu futuro incerto por uma série de erros de comportamento.

Estes, aliás, vêm se acumulando num crescer nos últimos  meses.

Na política, gerou um imenso constrangimento ao  impor o candidato a sua sucessão, numa escolha solitária. 

E insistiu, mesmo depois de revelações constrangedoras e controvertidas em seu trato com a ex-mulher, e sucedidas por atos que beiram o ridículo de seu candidato, amigo pessoal e companheiro de governo. Trocou o silêncio que a prudência impunha por versões fantasiosas. 

A classe política de sua base  faz crer que aceitou, mas aguarda a insignificância das pontuações nas pesquisas para ponderar as consequências da postura arrogante e autoritária.

Tem perdido quadros e a postura passional no enquadramento de sua equipe vaza para a sociedade. No fundo, sabe que o sonho acabou, e reage de maneira irracional.

Tem sido frequente o destempero e a prepotência quando algo lhe desagrada. Há meses, em pleno Fashion Mall, foi infeliz diante da abordagem cordial, mas crítica, de uma senhora da sociedade de suas relações sociais.

O caso da médica do município é imperdoável na medida em que se intitulou “patrão” da funcionária municipal e a ameaçou de demissão.

O episódio da conversa gravada e divulgada com Lula revela uma decepcionante ligação afetiva com o ex-presidente,fidelidade a presidente, além da infelicidade com que se referiu a cidades do Estado que chegou a pensar em governar. Sendo que uma delas tem a neta de Lula como moradora e colaboradora da Prefeitura.
E o deboche com os mais pobres.

A melancólica retirada de cena, via desgaste visível, de um jovem tão talentoso, autor de uma obra admirável, com verdadeira paixão pela função de executivo público, é uma perda para um país que vive múltiplas crises. 
Inclusive a falta de quadros confiáveis para superar dificuldades e unir o povo brasileiro.

Um sábio observador da política e da história disse certa vez que “não há vinho que mais embriague do que o poder e a fortuna”. O prefeito parece que tomou deste vinho.

 



Urge a criação de uma vara criminal voltada a julgar casos de danos ao patrimônio ou ao serviço (caso dos ônibus) públicos e uma cadeia que acolha imediatamente os presos em flagrante

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A política brasileira está tão fora de sintonia com a realidade do país e os políticos tão preocupados em salvar a sua pele que já se começa a difundir a ideia de que a culpada de toda essa tragédia que assola o país é a Lava Jato!

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Respeitar o comando constitucional, que impõe a reserva de matérias para edição de lei complementar, traz mais segurança jurídica, especialmente em questão tributária

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