São Paulo, 26 de Junho de 2017

/ Opinião

De novo, o que não podia e nem devia
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Um ministro do STF, sem consultar seus pares, podia decidir liminarmente pela deposição do presidente do Senado?

Vamos fazer alguma coisa para impedir que o Brasil naufrague numa crise que se agrava?  Comecemos então pensando sobre o que podia, o que devia e, principalmente, o que não podia e nem devia ter acontecido no País nas últimas semanas.

Um ministro de Estado podia se demitir e anunciar publicamente que o fez por se sentir pressionado pelo presidente da República? A Câmara de Deputados podia alterar o projeto de lei anticorrupção? O Senado podia propor uma lei contra o abuso de autoridade? Um ministro do STF, sem consultar seus pares, podia decidir liminarmente pela deposição do presidente do Senado? O presidente da República podia agradar incondicionalmente parlamentares em nome da governabilidade?  

Podia. Mas não devia! Não no Brasil deste momento.

Definitivamente, o que não podia e nem devia acontecer é um ministro gravar a sua conversa com o presidente; a Câmara desfigurar completamente o projeto de lei que a ela chegou respaldado por milhões de assinaturas; o Senado propor a mais chã revanche contra o Judiciário; o STF se desmoralizar; e,  mais do que tudo, o governo dar a entender que estava envolvido nas tramóias do Congresso.  

As coisas já estavam ruins. Mas assistir o Presidente do Senado cantar de galo depois do fiasco do STF, falando em patriotismo e vitória da democracia, deixou-as bem piores.  A indignação se generalizou no País e a descrença nas instituições voltou a se alastrar.

O que está por trás dessa insensatez que vai tomando o Brasil? A quem interessa?

É evidente que interessa a dois tipos de pessoas: os que querem fugir da Justiça e os que desejam voltar ao poder. Há até quem jogue nos dois times, com ajuda dos trapaceiros de sempre e da conhecida catimba do PT.  

Com a Lavo Jato sendo contra-atacada em larga frente, das oitivas às páginas da imprensa que o PT continua a dominar, passando pela geléia geral do Congresso, Lula deixou de ser notícia para ladinamente poder opinar sobre o futuro do País.

Na  verdade, sobre o seu futuro, que é a única coisa que lhe interessa.

Mas essa é dinâmica dos velhacos, capitaneados por Lula e a banda podre da política que faz cheirar mal muitos gabinetes de poder neste País. A dinâmica que precisa predominar é outra, a do avanço das reformas fiscal, previdenciária, trabalhista e educacional. Ninguém de bom senso tem dúvida disso.

Mas, por incrível que pareça, a insensatez que andou a passos largos nas últimas semanas parece ter endereço certo e conhecido, o Palácio do Planalto.

Tudo indica que o governo federal pensa que pode conduzir as dificílimas tratativas para implementar as reformas das quais o Brasil necessita sem demonstrar compromisso indeclinável com a moral pública e fazendo o velho jogo dos conchavos e acertos.

Não se aprendeu nada com o que aconteceu ao Brasil? Que a governabilidade sustentada com corrupção termina em desastre político, econômico e social? Que reformas cruciais para o País só aconteceram realmente quando foram propostas por um governo com autoridade moral?

As reformas no horizonte imediato da Nação mexem com a vida de milhões de brasileiros que estão cansados de corrupção, impostos, ineficiência e irresponsabilidade.

São reformas que começam e terminam com dinheiro: o seu, o meu, o nosso, o de todos, que foi subtraído das mais diversas formas.

São reformas que desafiam o corporativismo, o aparelhamento e o clientelismo, todos inimigos poderosos.

Reformas prontas para serem demonizadas pela esquerda irresponsável que levou o País a esse ponto. A mesma de sempre, com o mesmo de há trinta anos, fazendo tudo que não podia e nem devia, de novo.
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As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

 

 



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