São Paulo, 27 de Julho de 2017

/ Opinião

Crianças no crime
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Não bastasse a morte do menor infeliz, algumas pessoas parecem estar mais preocupadas com eventual excesso policial, do que em relação ao fato grave de existirem crianças envolvidas na criminalidade.

“Ensine a criança a andar no caminho do bem. e quando ela for adulta jamais se desviará desse caminho” Salomão 1500 aC”


Todos ficaram estarrecidos diante da recente reportagem de duas crianças de 10 e 11 anos idade, praticando assaltos e furtos, até que uma delas acabou sendo morta pela polícia.

O mais estarrecedor da notícia, no entanto, é que não bastasse a morte do menor infeliz, algumas pessoas parecem estar mais preocupadas com eventual excesso policial, do que em relação ao fato grave de existirem crianças envolvidas na criminalidade.

Não que o desfecho policial, ocasionando a morte de uma delas, não seja importante, devendo por isso ser apurado com rigor por quem de direito. E a Policia Militar já dispõe, por meio de sua corregedoria os mecanismos necessários para esse fim. 

O que não pode acontecer é se desviar do foco principal que são crianças envolvidas no mundo do crime, quando deveriam estar brincando com outras crianças, sendo amadas pela família e tendo a oportunidade de estudar.

Este fato, sim, está a merecer a indignação de toda a sociedade. Por isso, a sociedade organizada e as autoridades competentes, juntas, precisam enfrentar esse grave problema social.

Descobrir as razões pelas quais estas crianças foram parar no mundo do crime. Saber por que razão seus pais que não as protegeram desse desvio.
Esse é o tema principal dessa tragédia e que deveria merecer a atenção total da comissão de direitos humanos, que parece estar mais preocupada com a ação policial do que com o fato da infância estar participando da criminalidade.

É preciso que a sociedade se una ao Governo nessa luta, ajudando as famílias com problemas educarem seus filhos, evitando que elas cheguem a esse estágio de degradação.

No caso em referência, o pai do menor morto cumpria pena por tráfico de drogas, e a mãe também já esteve envolvida em furtos. Ora, diante dessas premissas, não é difícil imaginar a dificuldade dessa criança para se ajustar ao mundo normal.

A falta de amor e de cuidado familiar para esse filho são fatores que induzem pensar no conflito e na revolta que existe naquela criança, sem carinho e atenção devida nessa fase da vida. Nenhuma criança conseguirá por si só superar a carência de afeto para sua integração social, especialmente quando o meio em que vive lhe é hostil.

É contra esta situação que a atenção das pessoas deve se concentrar para evitar que essa triste história se repita, evitando que outras crianças se envolvam com o mundo do crime.

Que tal começar com a criação de uma escola para ajudar as famílias a educarem seus filhos? Que tal suprir o abandono social das crianças nessa situação de risco, trazendo-as para ambiente menos hostil para elas?

A criação de programas de acompanhamento para pais com este perfil poderá evitar que seus filhos sejam cooptados pelo crime e tenham de sobreviver nesse meio hostil.

Esse será o desafio para a sociedade organizada evitar que a morte dessa criança caia no esquecimento. É preciso que as pessoas de bem motivem as autoridades ligadas à assistência social e à educação no desenvolvimento de programas de proteção para a infância em situação de risco.

De nada adiantará desviar-se a atenção da sociedade e da imprensa para o trabalho da polícia, onde seus integrantes também são pais e filhos de família, que expõem diariamente suas vidas em risco.

Transferir a responsabilidade deste grave fato para a polícia em nada ajudará na solução deste dramático problema social, vendo os adolescentes serem arrastados para o crime, por falta de oportunidade de integração social, que todos desejamos para os nossos filhos.

 



Os alvos são funcionários do Ministério da Agricultura em Curitiba (PR) e Londrina (PR) e em Goiás, donos de frigoríficos e executivos de empresas de alimentos processados

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