São Paulo, 09 de Dezembro de 2016

/ Opinião

Conversa para boi dormir
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Entre as questões pendentes, há a candidatura de Lula em 2018 e a possibilidade de Aécio e Alckmin se unirem para a mesma chapa tucana

A oposição acha que Lula não está dizendo a verdade quando afirma que só será candidato à presidência da República, em 2018, se continuar sendo "perseguido e provocado" pela imprensa, acrescentando que para ser candidato precisa ainda receber "um legado" do governo da presidente Dilma Rousseff, isto é, um país sem recessão, longe da crise política, econômica e moral, que inferniza a população.

Seria a sexta vez em que Lula se candidataria ao Palácio do Planalto, em 26 anos. Nas cinco vezes em que se candidatou, perdeu três eleições antes de se eleger pela primeira vez, uma para Fernando Collor, em 1989, e duas para Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998, mas conseguiu ganhar outras duas eleições, contra José Serra, em 2002, e outra concorrendo com Geraldo Alckmin, em 2006.

Quando diz que só será candidato se for desafiado pela imprensa, Lula está blefando, porque, em outras ocasiões, ele se comportou como candidato assumido do PT à sucessão de Dilma Rousseff, apesar de ter a convicção de que vai enfrentar uma eleição difícil, já que o escândalo das propinas na Petrobrás afetou em cheio seu partido.

O PT sabe que a campanha de 2018 será problemática, qualquer que seja o candidato indicado pelo PSDB entre os três presidenciáveis de plantão no partido, senadores Aécio Neves e José Serra e o governador Geraldo Alckmin, todos bem avaliados nas eleições de 2014.

O sonho de Aécio é afastar Alckmin da disputa pela cabeça de chapa, convidando o governador paulista para ser o seu vice, formando a chapa café-com-leite.

Aécio está de olho, portanto, nos dois maiores colégios eleitorais no Brasil, São Paulo e Minas, que somam quase 50 milhões de votos, de um total de 140 milhões de eleitores.

Se Alckmin aceitar o convite de Aécio, será mais fácil afastar Serra da disputa pela legenda tucana: essa é, pelo menos, a avaliação feita pelo senador mineiro, que deve ser reeleito para presidir o PSDB por mais dois anos.

O PT está convencido que a campanha do PSDB será baseada em denúncias de corrupção envolvendo-o, sobretudo o Mensalão e a crise das propinas na Petrobrás.

Outra coisa que incomoda o PT é que Lula - caso confirme a candidatura - terá de gastar tempo precioso na campanha de televisão para responder às acusações do PSDB.

O PT, contudo, se diz preparado para contra-atacar com o mesmo veneno usado pelos tucanos, denunciando que também o PSDB tem o seu Mensalão em que o réu nº 1 é o ex-governador de Minas, Eduardo Azeredo, além de o partido estar "atolado até o pescoço" no escândalo de 12 anos de propinoduto no Metrô e CPTM de São Paulo, em que estão envolvidos os governos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin.

O PT vai acusar a imprensa de esconder os escândalos de corrupção quando envolvem o PSDB.

Os dois partidos, PT e PSDB, que devem polarizar também as eleições de 2018, vão concorrer cientes de que quem se eleger não poderá ser candidato novamente em 2022, porque o Congresso extinguiu o direito à reeleição de prefeitos, governadores e presidente da República.

A reeleição foi instituída no País em 1997/98, para permitir ao presidente Fernando Henrique Cardoso o direito de permanecer mais quatro anos no poder. Quem comandou a operação no Congresso para aprovar a reeleição de chefes de Executivo foi o então ministro político de Fernando Henrique, Sérgio Motta.

A Emenda Constitucional da reeleição foi aprovada pelos parlamentares em meio às denúncias de compra de votos de deputados e senadores. Sua aprovação dependia de, no mínimo, 3/5 dos votos dos congressistas.

Até hoje, porém, FHC se irrita e dá soco na mesa quando a oposição - leia-se PT - denuncia que sua reeleição foi comprada. Apesar da reeleição favorecer na época o PSDB, quem acabou se beneficiando do " jogo sujo " no Congresso foi o PT, que reelegeu Lula e Dilma Rousseff.

 



A avaliação é de José Serra (foto), ministro das Relações Exteriores. Em debate na FGV ele disse que o "custo Brasil" consome 30% das mercadorias brasileiras

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