São Paulo, 29 de Abril de 2017

/ Opinião

Conclusões do 5o Fórum Nacional do Varejo
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É consenso entre os líderes setoriais que o foco deva estar na busca irreversível de maior competitividade, produtividade, eficiência e de resultados em uma economia que atravessa lento processo de recuperação

Os Fóruns realizados entre 2013 e 2016 trouxeram temas para a discussão que permitiram o melhor conhecimento da realidade do varejo no Brasil e no mundo, destacando o protagonismo do setor e sua importância no cenário político, econômico e social do País no presente e no futuro.

As principais inovações que transformaram o negócio e o país com o olhar em um consumidor com maior poder e mais alternativas de escolhas foram apresentadas e discutidas, assim como o crescimento das atividades digitais e os desafios para reposicionamento dos negócios em um ambiente muito mais competitivo.

Em 2017, em clima de pragmatismo, com a visão de oportunidades e necessidades, foram promovidas discussões envolvendo os grandes temas e os desafios que envolvem os setores de Varejo, Consumo e Shopping Centers diante do início de um novo ciclo econômico e social, egresso da maior crise econômica e moral da História recente do Brasil e que gerou cerca de 12 milhões de desempregados formais, retração da massa salarial em termos reais aos patamares de 2013 e o fechamento de milhares de lojas.

No redesenho desse cenário, é consenso entre os líderes setoriais que o foco deva estar na busca irreversível de maior competitividade, produtividade, eficiência e de resultados em uma economia que atravessa lento processo de recuperação, e que deverá ser a marca dos próximos anos.

Porém, importante destacar que o mercado está redesenhado em sua estrutura pela relevância de temas como a economia digital, o papel crítico do crédito no cenário do consumo, a maior concentração de negócios, o empoderamento dos consumidores-cidadãos e a premente necessidade de criação de ecossistemas competitivos envolvendo as diversas cadeias de valor de produtos e serviços.

Devemos ainda reconhecer que não teremos em anos futuros próximos um cenário tão favorável, porque inevitável, para promover as reformas que o País carece.

A combinação da transitoriedade do atual governo, com a dramática crise recente que gerou o nível de desemprego que o País vive e a queda real da massa salarial, combinados à percepção dos descaminhos com o trato das coisas públicas, deveriam precipitar o mais abrangente e ousado programa de reformas já vivido pelo Brasil.

Nesse contexto preocupa e constrange a tibieza governamental com as propostas envolvendo as reformas trabalhista, previdenciária, política e tributária. E preocupa muito mais, sendo inaceitável, o caminho fácil do aumento de impostos para compensar essa tibieza.

E isso é um claro chamamento a um outro posicionamento do setor empresarial.

Não devemos contemporizar com a premissa de que o ótimo é inimigo do bom, pois essa condescendência, em particular do setor empresarial, foi desastrosa para o País no passado recente.

É preciso ousar no pensar e agir para realizar.

O caminho da relevância estratégica dos setores de Varejo, Consumo e Shoppings Centers no cenário econômico, social e político brasileiro é um caminho sem volta.

Por conta da proximidade que esses setores têm com os novos consumidores emergentes e levando em conta que há um processo irreversível de amadurecimento desses consumidores-cidadãos, esses segmentos têm posição destacada no entendimento da nova realidade.

Esse novo consumidor-cidadão emergente, em especial, do cenário digital, também pede mudanças dramáticas do setor privado, trocando o empresário ‘moita’ do passado, como colocado por Flávio Rocha, pelo empresário-cidadão conectado com o futuro.

Pede empresários mais comprometidos com os grandes temas nacionais, o que transcende em muito seu papel e responsabilidade como líderes de empresas e negócios.

Uma sociedade moderna, competitiva e irreversivelmente mais global pressupõe setores e líderes empresariais ligados ao consumo de produtos e serviços com a visão ampliada e alinhada com os desafios do presente e as oportunidades do futuro.

Mas, também e, principalmente, dedicados a atuar para além das fronteiras de seus setores econômicos de atividade, ocupando espaços cada vez mais relevantes na discussão e na ação para a transformação estrutural, ética, política, moral e social que o País precisa viver.

Em paralelo às atividades estratégicas e táticas que o dia a dia impõe, os empresários dos setores de Varejo, Consumo e Shopping Centers devem repensar seus negócios com uma ótica que transcenda os desafios do desempenho dos setores que atuam, pensando de forma integrada e mais ambiciosa em modelos alternativos para o crescimento sustentável do Brasil.

Essa é consciência coletiva e o compromisso que emergem do 5o Fórum Nacional do Varejo, Consumo e Shopping Centers, alinhando os líderes desses setores com a obrigação de se posicionarem e, principalmente agirem, de forma integrada, coesa e ambiciosa pela transformação inadiável de que o Brasil precisa.



No sistema político francês, muito mais rígido do que o britânico, um chefe de governo malsucedido na política externa e desacreditado em casa pode fazer um estrago bem maior, e não limitado apenas à França, sobre a qual agora pesam, sem a menor dúvida, maiores responsabilidades

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