Opinião

Componentes da democracia


A baixa qualidade dos políticos vem afastando novas gerações com vocação para o serviço público


  Por Aristóteles Drummond 26 de Julho de 2017 às 11:55

  | Jornalista


Não existe democracia sem partidos, políticos, ordem, separação de poderes e justiça social. No Brasil, todos os itens precisam ser revistos, aprimorados e colocados ao serviço do progresso.

Partidos devem ser prestigiados, mas precisam obedecer algumas normas, como a cláusula de barreira que foi derrubada pelo Judiciário, em lamentável equívoco.

Não se entende que o mesmo Judiciário não tenha revisto este erro, admitido pelos próprios magistrados que cuidaram da questão. Com 30 partidos e mais meia dúzia em gestação no momento, não pode funcionar uma democracia de fato.

Políticos só exercem mandatos quando votados. Logo, a responsabilidade de sua qualidade depende muito do grau de informação e sensibilidade do eleitor.

A baixa qualidade dos políticos vem afastando novas gerações com vocação para o serviço público. Prevalecem os que se servem, mas ainda existem exemplos dos que procuram servir, apesar de juízos injustos e muitas vezes deformados.

São muitos os exemplos de flagrantes injustiças, fruto da desinformação, da calúnia. E chocantes atos de improbidade e desrespeito às instituições impunes.

A ordem é fator importante para o exercício das liberdades democráticas, em todos os campos.

Não é possível o convívio democrático com atos de barbárie nas ruas, ocupações de bens públicos ou privados, interdição de vias e grevismo selvagem, em desrespeito à prestação de serviços essenciais.

Temos assistido com frequência à interferência de um poder no outro, sob lamentável omissão dos atingidos por excessos. Em contraponto a isso, temos de exigir prazos mínimos na tramitação de projetos no Legislativo, julgamentos no Judiciário, agilidade e transparência no Executivo.Acabar com a gaveta, cemitérios de processos e projetos.

Não podemos construir uma democracia, que é o regime da oportunidade para todos, numa sociedade injusta, com privilégios na função pública, no engessamento do empreendedorismo pela burocracia e a corrupção, na ineficiência na gestão de recursos públicos.

A saúde vai mal, mas os orçamentos bem geridos seriam suficientes. A educação de baixa qualidade  tem recursos, mas abriga, no setor público, altas remunerações e a banalização de greves de servidores.

Sem um choque de qualidade ética, moral, administrativa e fiscal, não vamos sair da crise em que nos encontramos. E coragem cívica para tocar as reformas, sem recuos e contemporizações.

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