São Paulo, 25 de Setembro de 2016

/ Opinião

Como a economia desenha as cidades
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O desaparecimento de uma loja pode levar à diminuição do tráfego de pedestres e o êxodo de famílias, de tal modo que a atratividade da vizinhança já não será mais a mesma

Tim Wu escreveu recentemente um artigo interessante para a The New Yorker a respeito do fenômeno das lojas desocupadas nos bairros prósperos de Nova York, o que, coincidentemente, vem ao encontro de inúmeras coisas a respeito das quais tenho tratado na Escola de Negócios Saïd, da Universidade de Oxford.

Existe ali um grupo interessado na mudança da geografia econômica em curso em Londres e suas ligações com a globalização. 

O fenômeno da loja desocupada é fascinante e requer um pouco de conceituação, o que não pretendo fazer agora.

Porém, é evidente que faz parte de um contexto histórico maior em que grandes volumes de capital se deslocam em direção aos bairros mais cobiçados e, nesse processo, destroem aquilo que fez deles motivo de cobiça. Isto, por sua vez, me levou a pensar, ainda que de forma um tanto imprecisa, sobre a relação entre desigualdade e urbanismo.

Não vejo isso sob um prisma crítico — trata-se de um fenômeno bastante complexo —, mas apenas como uma questão interessante, sobretudo se você está em processo de mudança para uma cidade grande. 

Aqui vão algumas considerações: em primeiro lugar, em se tratando de coisas que tornam a vida urbana melhor ou pior, não há motivo algum para ter fé na mão invisível do mercado.

As economias externas estão por toda parte no ambiente urbano. Afinal de contas, essas economias —que desfrutam das vantagens palpáveis de estar próximas de pessoas envolvidas em atividades que geram consequências imprevisíveis, porém positivas —são, antes de mais nada, a razão pela qual as cidades existem. Isto, por sua vez, significa que os valores de mercado podem produzir muito facilmente incentivos destrutivos.

Quando, por exemplo, uma filial de banco ocupa o espaço anteriormente ocupado por uma loja que era vista com simpatia em um bairro, é possível que todos estejam maximizando seus lucros.

Contudo, o desaparecimento dessa loja pode levar à diminuição do tráfego de pedestres contribuindo para o êxodo de algumas famílias (que são substituídas por jovens banqueiros que nunca estão em casa) e assim por diante, de tal modo que a atratividade daquela vizinhança já não será mais a mesma.    

Por outro lado, o influxo de yuppies bem remunerados pode ajudar a dar sustentação a uma infraestrutura essencial, por exemplo, de cafeterias da moda (parece que não há limite para esse tipo de comércio), restaurantes étnicos e lavanderias e com isso tornar o bairro um lugar melhor para todos. 

O que nos diz a história? Politicamente, gostaria de dizer que a desigualdade é ruim para o urbanismo. O problema é que a coisa não é tão óbvia assim.

MERCADINHO EM NOVA YORK QUE FECHOU AS PORTAS RECENTEMENTE/Foto:Nicole Bengiveno/The New York Times

 

A autora e ativista Jane Jacobs escreveu "Morte e Vida das Grandes Cidades Americanas" bem no meio da grande expansão que se seguiu ao pós-guerra, uma era de crescimento econômico por toda parte, de distribuição relativamente igualitária de renda, com uma mão de obra mais independente — e em que a vida urbana estava em colapso, uma vez que as famílias brancas fugiam das cidades e uma combinação de rodovias em construção e de renovação urbana destruía vários bairros.

Quando se deu um reavivamento urbano parcial, ela esteve ligada possivelmente a forças impulsionadas pela desigualdade crescente ou a ela associadas.

Gente rica em busca de um toque de modernidade — provavelmente pessoas que se julgam esclarecidas, e não os de classe inferior — levou a gentrificação para os centros urbanos.

Em Nova York, pelo menos, um número muito grande de imigrantes pobres, porém esforçados, foi responsável pela renovação dos bairros mais afastados dos distritos, como Jackson Heights e Brighton Beach. 

Porém, é possível que estejamos olhando agora para algo novo, na medida em que os verdadeiramente ricos —facínoras locais de grande fortuna, mas também oligarcas, principezinhos e xeiques — estão comprando tudo o que há de mais fino em imóveis deixando-os vazios, criando desse modo, na melhor das hipóteses, áreas desertas no segmento de negócios de luxo (eu sei, é preconceito de gente esnobe que mora no Upper West Side) e, na pior das hipóteses, distritos fantasmas e caros. 

TRADUÇÃO: A.G.MENDES

 



As ações de grupos que se empenham em contestar a legitimidade do presidente prejudicam a governabilidade e em nada contribuem para que o país possa superar suas imensas dificuldades

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Milhares de passageiros passam por dia em nossos aeroportos e sofrem com a falta de um serviço essencial, prestado por trabalhadores, é sempre bom repetir, credenciados para este fim.

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Ainda que estas ações aconteçam na escola e entre crianças e jovens, a lei deve ser cumprida e os responsáveis, punidos

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