Com o sangue dos outros


Um véu de censura impõe que o certo é a abertura das fronteiras, a tolerância unilateral e a imediata igualdade de plenos direitos a quem esteja vindo morar no país


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 05 de Junho de 2017 às 16:14

  | Doutor em ciências militares e historiador


As pessoas migram para melhorar de vida em outro país, não para impor as condições que as levaram a abandonar o seu país de origem. 

Nenhuma sociedade pode ser obrigada a aceitar irrestritamente pessoas que não aceitam a sua lei, a sua cultura e os seus costumes.

Refugiados e imigrantes são coisas diferentes, merecendo cada uma dessas condições humanas o tratamento e a solução adequadas a cada caso.

Nenhuma dessas considerações aparecem em qualquer debate, matéria ou artigo sobre a questão da imigração.

Nesta discussão, melhor dizendo, neste monólogo, ouvem-se apenas loas ao multiculturalismo, clamores humanitários e críticas às preocupações com a segurança. 

Nada se diz sobre as tensões, os prejuízos e as ameaças causadas por levas e levas de imigrantes, por gerações seguidas, incapazes de se adaptar ou de serem assimiladas nas sociedades que os acolheram.

Nada sobre os crimes transnacionais de amplo espectro que permeiam fronteiras evanescentes.

Nada sobre os desequilíbrios sociais, econômicos e políticos que fluxos descontrolados de pessoas causam, particularmente em pequenos países. 

Um véu de censura que se espraia pela mídia, pela academia e pelos gabinetes da política impõe que o certo é a abertura das fronteiras, a tolerância unilateral e a imediata igualdade de plenos direitos a quem esteja vindo morar no país.

Tudo isto, independentemente de quem seja,  de como se comporte ou do que deseje o imigrante. É impressionante como o mantra do politicamente correto faz o absurdo aceitável.

E não estamos falando apenas de Europa e Estados Unidos, mas também de Brasil, que esteve perto de aprovar uma Lei de Migração provinda do Congresso Nacional em estranhíssima forma, da qual foi preciso expurgar dezoito absurdos para ser sancionada, e sobre a qual restam fundadas dúvidas quanto à capacidade do Estado brasileiro em implementá-la.

Mas viabilidade é irrelevante para os patrocinadores dessas ideias. Ao contrário. Para eles, importa, na verdade, propor e impor o inviável, até inviabilizar a sociedade.

E se valem de uma lógica cuja perversidade não alcançamos: gestar o colapso da sociedade que detestam para implantar um regime brutal justificado pelo caos que criaram. 

Tanto aqui como lá.  Nos Estados Unidos e Europa, por meio de uma abrangente ação de mídia que tolera o radicalismo e é complacente com o terrorismo. Por aqui, pela propaganda criminosa da violência promovida por políticos, professores e intelectuais em eventos públicos.

Mas sempre com o sangue dos outros.

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