São Paulo, 09 de Dezembro de 2016

/ Opinião

Camaradas
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Diante de uma oposição incompetente e dos conchavos dentro do bloco governista, a população voltará domingo às ruas sem a intermediação dos políticos

Tentou-se de tudo. Primeiro a intimidação crua de violência contra as manifestações adversas ao governo. Depois uma operação explícita para impedir que a presidente da República seja responsabilizada por decisões das quais participou.

Em seguida a conhecida pajelança das manifestações a favor do governo patrocinadas com dinheiro público. Por fim, vieram as elegantes tentativas de desqualificar a ideia de impeachment.

Tudo em proveito da sobrevivência de um projeto de poder autoritário e corrupto, ao preço de completa eliminação da moralidade na vida pública brasileira, pois é exatamente isso que significa a não responsabilização dos envolvidos na enxurrada de denúncias de corrupção, a começar pela suprema mandatária do País.

Qualquer vaticínio sobre as consequências dessa monumental pizza pode se resumir num “ai de nós”, pois, assegurada a impunidade que se trama, certamente sobrará muito pouca coisa em que acreditar, a começar num Brasil melhor.

Diante do fracasso de tudo que se tentou até aqui para esvaziar o “Fora Dilma”, na noite desta quarta-feira o poder fez mais uma jogada, e sofisticada. Michel Temer, o vice-presidente, cedeu ao “apelo” de Dilma para assumir a articulação política do governo.

Antes, um ministro já havia declarado que era preciso “distribuir as responsabilidades entre partidos aliados”, uma ameaça mal disfarçada disparada de Buenos Aires.

Porém, em meio a notícias bem plantadas de que a indicação de Temer fez até baixar o dólar, quem se apressou em interpretar a notícia foi, nada mais nada menos, do que o líder da “oposição”, para quem Dilma fez uma “renúncia branca de seu mandato”.

Ora, se a presidente da República não tem praticamente mais nenhum papel a cumprir, se ela “renunciou”, como pretende o Senador Aécio Neves, para que clamar por seu impeachment? Não há por que, segundo essa lógica.

Vamos às ruas para que mesmo? Ah, sim! Para “uma agenda positiva para o país”. É para onde a “oposição” agora diz que devemos canalizar nossa indignação. Assim, em meio a esse fenomenal tiroteio, só nos resta mesmo assumir o papel de Tonto, encarar o Zorro e fazer aquela clássica pergunta: agenda positiva para quem cara-pálida?

Para o PT ganhar sobrevida política, para o PMDB continuar a achacar o governo, e para a “oposição” insistir na irrelevância sustentada com os votos de metade dos brasileiros?

Dessa maneira, os interesses dos grandes atores políticos saem preservados, numa espécie de trégua, apostando-se no esvaziamento das manifestações quando a população indignada descobrir que já não tem mais contra o que protestar e as camadas de mozzarella da “agenda positiva” da receita da “oposição” se derreterem.

Para esses estrategistas de fancaria, que compram tempo ao preço do engano, pouco importa o desenlace desastroso para o país. Importa-lhe apenas a continuidade, a qualquer preço, não importa o papel a desempenhar.

Mas o que o poder que faz conchavos, que derrama milhões de reais numa imprensa que nem precisa mais ser controlada, que aluga opiniões de quem algum dia se pretendeu crível, que não sofre uma oposição política digna desse nome e que não hesita em perpetrar as maiores iniquidades não entende é que tudo isso não funciona mais.

A indignação da população é palpável, quase que se pode tocá-la nas ruas; é viral, impossível de ser controlada pelos mercenários virtuais do PT; e é patriótica, crescente numa população que vai recuperando o seu civismo a partir de tudo que lhe foi tirado.

Domingo a população brasileira vai às ruas de novo, de graça de novo, por que “eles” não entenderam nada de novo. E vai continuar indo, por que há algo de novo no País.

Pela primeira vez na História do Brasil, espontaneamente, a população está dizendo claramente o que quer, independentemente dos políticos. E, ao contrário do que eles pensam, o tempo não corre a favor deles, mas escoa contra eles.

Serão eles, ou melhor, alguns deles, oxalá os melhores, que virão ao encontro da população no seu principal anseio: basta!

Nem tudo parece perdido para Dilma e o PT. Como alvos das manifestações no próximo domingo, parece que eles encontraram um grande camarada.

Fora Temer!

 



Essa é uma das propostas da reforma da Previdência, que será encaminhada ao Congresso Nacional nesta terça-feira (06/12)

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