São Paulo, 01 de Outubro de 2016

/ Opinião

Cala-te, boca
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A pretensão do PT em regular a mídia, para controla-la, deriva do plano de se manter no poder, com a volta de Lula depois de Dilma Rousseff

No seu programa de TV previsto para fevereiro, o PT vai insistir em defender outra vez a regulação da mídia, uma iniciativa que vai merecer a repulsa da oposição, disposta a denunciar que o partido de Lula pretende instituir no país a censura à imprensa.

O PSDB lembra que o desejo do PT de monitorar a imprensa é antigo, nascido no primeiro governo de Lula por sugestão de seu ex-ministro das Comunicações, jornalista Franklin Martins. Para os tucanos, o maior interessado na regulação da mídia é o próprio Lula, virtual candidato ao Planalto em 2018.

O PT se declara convencido de que a presidente Dilma Rousseff vai exercer o segundo mandato sendo o alvo principal da mídia, que “tucanou desde a campanha de Aécio Neves.”

Enquanto PT e PSDB se enredam em picuinhas, a verdade é que os dois partidos já sabem que o quadro eleitoral que se desenha para 2018 não será diferente do das últimas eleições, em que petistas e tucanos se alternaram na presidência da República nos últimos 20 anos.

O PSDB governou o Brasil por oito anos –de 1994 a 2002- com Fernando Henrique Cardoso e, o PT, por 12 anos, oito com Lula e quatro com Dilma Rousseff, e iniciou um novo governo com a presidente reeleita.

Outra realidade é que, com ou sem o apoio da mídia, o PSDB está mais bem servido de presidenciáveis do que o PT: nada menos do que três tucanos, bons de voto, estão em condições de concorrer e até de ganhar a próxima eleição e voltar a subir a rampa do Palácio do Planalto, daqui a quatro anos. São eles: Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin, enquanto o PT continua na dependência de Lula, considerado um dos eleitores mais influentes do País.

Por ser um partido inflacionado de promissores presidenciáveis, os dirigentes do PSDB vão ter dificuldade para impedir que os três tucanos briguem pela conquista da legenda, porque todos eles acham que têm uma plumagem mais rica do que a dos concorrentes.

O senador Aécio Neves, por exemplo, reivindica uma nova candidatura em nome dos 51 milhões de votos conseguidos na eleição de 2014; a mesma justificativa tem Serra e Alckmin, excepcionalmente bem votados nas mesmas eleições. José Serra alcançou expressiva votação para o Senado contra o forte candidato do PT, Eduardo Suplicy, que está exercendo o terceiro mandato de senador, e Geraldo Alckmin se reelegeu ao governo do Estado, no 1º turno, com 58% dos votos, impedindo que Lula iluminasse mais um “poste”.

Os tucanos continuam acusando o PT de pretender se eternizar na presidência da República, mas o partido de Lula rebate à provocação lembrando que, em 31 de dezembro de 2018, quando Alckmin estiver terminando mais um mandato, o PSDB estará contabilizando 24 anos no governo da principal locomotiva do Brasil, que é São Paulo, com seus governadores sendo responsabilizados pela falta de investimentos em obras necessárias no setor de captação e distribuição de água na região metropolitana, trazendo de volta o fantasma do ronco das torneiras.

 



Ele disse desconhecer que os valores depositados em conta secreta do casal de marqueteiros eram relativos a dívida de campanha da presidente afastada Dilma Rousseff

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