São Paulo, 08 de Dezembro de 2016

/ Opinião

Cadê o Aécio?
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O senador por Minas não é o dono dos 51 milhões de votos que recebeu. Qualquer opositor ao PT teria feito o mesmo

 

Fico com a sensação de que, apesar de toda sua experiência em vida pública e jogo político, iniciados na adolescência na “escola” de seu avô Tancredo Neves, em Minas Gerais, o atual senador Aécio Neves não se deu conta de que a maior parte dos mais de 51 milhões de votos que recebeu foram anti-PT e seriam de qualquer candidato que pudesse ter a chance –e ele quase conseguiu - de derrotar Lula, o PT e Dilma.

Às vezes parece que o volume de votos lhe subiu à cabeça como se dele fosse de verdade, porque a missão que recebeu através dessa votação expressiva não foi a ele dirigida para encerrar no fechamento da eleição, com a derrota, sua atuação oposicionista.

Ao contrário, apenas 3 milhões de votos a menos do que Dilma, com tudo de errado, irregular e ilegal que a candidata reeleita fez, o credenciaram para ser o mais atuante líder de combate aos desmandos e malfeitos petistas, grudado na jugular da governanta, do PT e de Lula, sem dar-lhes trégua.
 
E o que tem feito nosso suposto grande líder? Vacila, titubeia, se esconde, não vocifera, foge de ir às ruas, esconde-se de movimentos sociais que o abrigariam com facilidade, se omite atrás das mais tolas desculpas, quando já deveria estar pressionando o Congresso, O Ministério Público e o STF pelo impedimento constitucional da governanta que simboliza o maior grupo de assalto a que o Tesouro e o Estado brasileiro já foram submetidos.

Em condições normais de temperatura e pressão, Aécio até poderia ser um bom governante. Experiência não lhe falta. Sustentação partidária e lastro executivo e judiciário também não.

Falta coragem?

Tem o rabo preso?

Eu não tenho as respostas. Só a tristeza de ver o avanço das ruas, da sociedade, contra um governo que está aniquilando da dignidade aos cofres brasileiros, dos brasileiros, e ele acuado como se tivesse falta de apoio.

Como se diz, não há espaço vazio na política. Aécio está deixando ocupar o que era dele. Álvaro Dias, senador do PSDB do Paraná, deu uma derrapada feia ao defender a aprovação do agora ministro do STF, o petista Luís Faxina. Alckmin está apanhando da estiagem. É melhor ficar de olho no Ronaldo Caiado, embora ainda seja cedo.

Ouso dizer, pelo cheiro da brilhantina: estivesse vivo o Dr. Enéas, ninguém tirava dele o Planalto em 2018.

REFORMA?

Plus ça change, plus c´est la même chose.

A reforma política do Congresso foi feita para não mudar nada.

Ninguém na área de governo e poderes da República está colaborando.



Em palestra na ACSP, o cientista político Antônio Lavareda (à direita), especialista em eleições, disse que a história eleitoral associa maus resultados nas municipais às eleições seguintes

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Partido elegeu 265 prefeitos, em vez dos 634 em 2012. Eleitores rejeitaram a tese do "golpe" e responsabilizaram os petistas pela corrupção e pela crise econômica

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Ele disse desconhecer que os valores depositados em conta secreta do casal de marqueteiros eram relativos a dívida de campanha da presidente afastada Dilma Rousseff

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