São Paulo, 10 de Dezembro de 2016

/ Opinião

Bicada que não dói
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Até mesmo dentro da família Covas há mais que um candidato para a Prefeitura de São Paulo.

Dois Covas, o Bruno e o Zuzinha, neto e filho de Mário Covas, respectivamente, já provocam um zunzunzum que começa a incomodar a família do ex-governador, pois ambos alimentam o mesmo sonho, o de ser o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, no ano que vem. Bruno é deputado estadual reeleito e, apesar de ser mais jovem, tem mais traquejo político do que Zuzinha, que exerce um mandato - o de vereador - pela primeira vez.

Os dois querem chegar onde o pai e o avô chegou, à Prefeitura mais importante do País, que manipula um orçamento superior aos de muitos estados brasileiros. É preciso dizer aos mais jovens, no entanto, que Mário Covas teve mais sorte do que o filho e o neto, porque não precisou disputar os votos de quase 10 milhões de eleitores na Capital.

Covas foi indicado para a Prefeitura pelo governador Franco Montoro pela via antidemocrática do sistema biônico, entulho introduzido na legislação eleitoral pela ditadura militar. Enquanto exerceu mandatos no Congresso Nacional, Mário Covas liderou o antigo MDB e foi o mais cruel crítico dos entulhos da ditadura; por isso, os adversários cobraram dele a incoerência que maculou sua trajetória política, ao aceitar ser prefeito sem ter recebido um único voto democrático dos eleitores.

Apesar do sistema de escolha dos prefeitos nas capitais ser biônico, o nome de Mário Covas necessitava ser aprovado pelos deputados estaduais. Montoro tinha a maioria absoluta de votos na Assembleia Legislativa, fator que tranquilizava o governador. Mas, a oposição conseguiu endurecer o jogo na hora da votação, e qual não foi a surpresa quando um dos deputados denunciou que Nabi Abi Chedid - conhecido por suas espertezas na e fora da política - foi acusado de ter votado duas vezes, permitindo que a indicação de Covas fosse aprovada pela diferença de apenas um voto. A denúncia caiu no vazio.

A missão de Bruno e de Zuzinha na briga pela conquista da legenda tucana será mais complicada porque existem mais pretendentes no partido pleiteando a candidatura à Prefeitura. Um deles, por exemplo, é o vereador Andrea Matarazzo, que tem o apoio total do senador José Serra. Além de Andrea, quem também sonha com a Prefeitura é José Aníbal. Como o PSDB acredita que o prefeito Fernando Haddad anda com o Ibope em baixa, é certo que outros pré-candidatos apareçam na época em que os partidos realizam as convenções para as escolhas oficiais de seus candidatos. Fernando Haddad

será o candidato do PT à reeleição, motivo pelo qual a senadora Marta Suplicy vai deixar o partido para se candidatar por outra legenda.

 



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