São Paulo, 27 de Fevereiro de 2017

/ Opinião

Bem-vindo à era da austeridade em rodízio
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O que influencia o resultado de uma eleição é como a economia se comportou nos seis meses que antecedem a votação

Às vezes, ideias ruins produzem coisas boas. Na verdade, isso acontece o tempo todo. 

Os resultados da eleição no Reino Unido surpreenderam, mas foram coerentes com a proposição geral de que as eleições não dependem do histórico de quem ocupa o cargo.

O que conta é se as coisas melhoraram nos seis meses que antecederam a votação. O primeiro-ministro David Cameron (na foto) e companhia impuseram um clima de austeridade durante alguns anos — depois, fizeram uma pausa, e a economia se recuperou o suficiente durante esse período de trégua, de modo que puderam cometer novamente os mesmos erros.

Tudo indica que não pretendem perder essa oportunidade. Em vista da fragilidade persistente dos principais índices do Reino Unido — dívida elevada das famílias, déficit comercial em elevação etc. — há uma boa chance de que o retorno à austeridade inaugure outra era de estagnação.

Em outras palavras, a recuperação de 2013-2015, que é interpretada equivocadamente como prova de que a austeridade era necessária, será provavelmente um tiro pela culatra.

A zona do euro passa por um problema semelhante, conforme observou recentemente Barry Eichengreen, economista da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Ali também o crescimento foi retomado graças ao quantitative easing [em que o governo injeta dinheiro no mercado através da recompra de títulos], um euro mais fraco e uma pausa na austeridade. As diretrizes que tiraram a Europa da beira do precipício foram tomadas politicamente talvez por medo — primeiro, de um colapso, depois, da deflação.

Contudo, com a atenuação do medo, diminuiu também a pressão por mudança nas diretrizes europeias; os partidários da austeridade já estão dizendo que a recuperação é prova — não do ativismo do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi —, e sim das políticas que tornaram o ativismo necessário. 

É óbvio que posso estar errado em meu pessimismo. Se o setor privado do Reino Unido ou da zona do euro tiver mais vitalidade do que imagino, o crescimento prosseguirá, mesmo que à custa da reversão das diretrizes adotadas.

Acredito, porém, que estejamos diante de uma era de austeridade intermitente em que os políticos que se recusarem a aprender as lições certas da história condenam os cidadãos de seus países a repeti-la. 



A dinâmica do processo é tal é que já não se pede a ação dos MPs e do Judiciário em geral, mas, sim, a celeridade que é interpretada, e com razão, como fundamental para evitar a impunidade.

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