São Paulo, 24 de Junho de 2017

/ Opinião

Barata-voa
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Os brasileiros sabem muito bem que a crise econômica, política e social que o País enfrenta tem por raiz o mau comportamento das pessoas. A crise é, portanto, moral

Definitivamente, o que o Brasil precisa é de uma onda de indignação. Uma onda muito maior, tão consciente e patriótica como aquela que defenestrou Dilma Rousseff et caterva do Planalto. Só assim o País, entregue à mais completa devassidão pública, poderá salvar a si mesmo. 

Depois do mensalão, do petrolão e da delação, sobrou pouca coisa. Não restou nenhum presidente desta república, nenhum presidente dos grandes partidos e nenhum presidente das casas do Congresso a salvo de suspeitas que justificam os inquéritos instaurados. 

Sequer uma voz reverberou das tribunas em defesa dos mandatos, dos partidos e, ultima ratio, do Congresso enxovalhado. Mas aqui e acolá, o que de pior existe na lama pública brasileira teve a audácia de vir à tona falar em coletivização da culpa, em perseguição partidária e em criminalização da política. 

O jornalismo militante e de aluguel não fez por menos. A serviço de causas e carreiras tão desavergonhadas, para as quais não restou nem o contraditório, trabalhou célere para passar gato por lebre, fazendo-se de crítico para desinformar e confundir.  

E para escancarar ainda mais a podridão em que vivemos, uma esquerda desbaratada que critica o moralismo para justificar a sua inata falta de moral, veio em socorro ao crime, querendo matiza-lo segundo suas conveniências ideológicas. 

Não sabemos o que é pior. Se o cinismo bandido petista; se o banditismo dos políticos e dos partidos; ou se a guerra bandida contra a Lava-Jato promovida e financiada pela organização criminosa que tomou conta do País.


Sabemos sim, sem sombra de dúvida, o que está em jogo.

O que está em jogo é a capacidade de as instituições do País atenderem às demandas da sociedade brasileira. 

O que está em jogo é a prevalência da Lei no País.

O que está em jogo é o direito de escolhermos livremente nossos governantes e representantes.

O que está em jogo é a nossa cidadania, expressa na inextricável relação em que assomam o direito e o dever de não nos submetermos a nenhum poder que não nos atenda, não nos represente e atente contra a Lei.

O que está em jogo é democracia no Brasil. 

Os brasileiros sabem muito bem que a crise econômica, política e social que o País enfrenta tem por raiz o mau comportamento das pessoas, particularmente daquelas incumbidas de representá-los, governá-los e agir em seu nome. A crise é, portanto, moral.

Daí não ser surpresa, que esteja acontecendo no Brasil, na prática, uma transferência de poder: dos que deviam nos representar politicamente, os governantes e políticos, para os que estão nos representando moralmente, um punhado de juízes, promotores e policiais.  

O barata-voa que a Justiça tocou nessa quarta-feira em Brasília mostra bem o que vai sobrar: baratas que não voam correndo das chineladas das urnas.

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As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

 

 



Na semana passada, o governo brasileiro enviou à OCDE uma carta expressando o seu desejo de ser convidado a iniciar o processo de adesão a esse grupo

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O cálculo é do Ministério do Planejamento, que faz uma avaliação positiva do impacto da mudança na correção de uma queda que se acentua desde os anos 80

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