São Paulo, 23 de Junho de 2017

/ Opinião

As fontes dos milhões
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De qual baú da felicidade os principais candidatos ao Planalto, Dilma Rousseff e Aécio Neves, sacaram cerca de R$ 300 milhões cada um para custear suas campanhas?

Nada soa mais falso na política do que um candidato de partido grande, que disputa um cargo executivo –seja de prefeito, governador ou presidente da República- acusar o adversário, também representante de um partido encorpado, de usar doações ilegais na

sua campanha. Tomemos como exemplo a eleição de outubro, e a pergunta que se faz é: de qual baú da felicidade os principais candidatos ao Planalto, Dilma Rousseff e Aécio Neves, sacaram cerca de R$ 300 milhões cada um para custear suas campanhas?

O grosso das doações dos dois candidatos teve a mesma origem: empreiteiras e bancos. Via de regra, as empresas doadoras esperam ser recompensadas pelo candidato vitorioso, através de contratos milionários que esperam assinar para a execução de

obras públicas. São normais as desconfianças de que empresas combinam preços quando participam do processo  licitatório para a escolha de quem será contratado para executar as obras. É nesse momento que podem surgir as propinas ou as

comissões que vão parar nos bolsos de diretores e funcionários das estatais, como são exemplos mais recentes os escândalos da Petrobrás e do Metrô e Trens Metropolitanos de São Paulo, envolvendo os dois partidos que costumam definir as eleições, PT e

PSDB. Outro ingrediente nas campanhas são as doações não contabilizadas, conhecidas como caixa-2, usada principalmente pelos grandes partidos.

"O destino das verbas que sobraram é desconhecido do contribuinte"

Se o eleitor mais curioso acessar as prestações de contas das campanhas,vai constatar que os dois candidatos receberam parte das doações das mesmas empresas. É provável que entre as empresas doadoras estejam algumas que se envolveram nos escândalos que estão na mídia e que tiveram diretores presos, como  na Operação Lava-Jato, agora indiciados pela justiça como agentes que “molharam as mãos” de diretores das estatais e de dezenas de políticos, cujos nomes –misteriosamente- ainda não foram divulgados.

São políticos dos mais variados partidos, muitos deles, no exercício do mandato de deputado e senador. No bojo das delações premiadas feitas por doleiro e diretores da Petrobrás, surgiu a denúncia, por exemplo, de que um ex-presidente do PSDB teria

recebido uma propina de R$ 10 milhões para abortar, há anos, uma CPI no Congresso para apurar irregularidades ocorridas na estatal. Mas, fica o dito pelo não dito, porque o ex-dirigente tucano morreu quando era deputado.

Se o dinheiro do caixa-2 usado principalmente pelos principais partidos é ilegal, é falso, portanto, que Dilma Rousseff e Aécio Neves se acusem mutuamente de ter  feito campanha viciada e contaminada pela corrupção. É o roto falando do esfarrapado.

O cálculo feito pelos homens de marketing e segundo as informações já vazadas pelos partidos, as campanhas de Dilma e Aécio custaram cerca de R$ 250 milhões cada. Parece, no entanto, que PT e PSDB tiveram sobra de dinheiro arrecadado. O destino das verbas que sobraram é desconhecido do contribuinte, que é quem, no final da festa, paga a conta.

 



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