São Paulo, 06 de Dezembro de 2016

/ Opinião

As causas do fracasso
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O cenário é sombrio: crescimento zero, crise de financiamento na Petrobras e recusa do governo de cortar convênios com ONGs ligadas ao PT


Não tem reputação e boa orientação como as do ministro Joaquim Levy que faça o Brasil ficar no crescimento zero este ano. Vamos ficar dois ou três pontos abaixo de zero e por motivos meramente políticos.

E a explicação é muito simples. Na energia, as usinas continuarão a ser aprovadas com reservatórios que não são reservatórios; por causa de "exigências ambientais"; as obras em andamento atrasarão por movimentos grevistas, por decisões judiciais por motivos fundiários, indígenas ou ambientais.

Ninguém vai querer investir nos projetos a serem licitados, alguns excelentes como os do Tapajós. O atraso de Angra-3 é lamentável.

A Petrobras não conseguirá financiar seus projetos, terá dificuldades em rolar a dívida e pode ser retirada do mercado de capitais americano. Parar projetos como o Comperj será uma demonstração de irresponsabilidade por envolver investimentos de dezenas de outras empresas, nacionais e internacionais.

Os bancos brasileiros, mesmo oficiais, terão de pagar taxas elevadas e mesmo assim com dificuldades na captação. O risco do Brasil já se iguala aos demais bolivarianos. A intimidade de nossas relações com este bloco assusta os bancos internacionais que já sofrem com o calote Argentino e Venezuelano.

Mesmo lento em  diminuir o Estado, que ganhou proporções exageradas, e muito menos cortar os convênios com as ONGs, que são na sua maioria ligadas ao PT, não restará outro caminho senão o corte nos investimentos. E assim não investiremos na infraestrutura. Parceiro sempre foi com dinheiro publico, quanto mais agora nesta situação . Até junho/julho muita obra vai parar.

Caberia medidas fortes de racionalizar pelo menos os gastos com saúde e educação, que afetam diretamente a população menos favorecida. Ou ainda contratar grandes empresas de auditoria para acompanharem despesas correntes e salários. Mas nem o governo paulista, de oposição, enfrenta os marajá da USP e  a aberração da folha ser superior ao orçamento.

O país vive um sonho ao imaginar que a crise pode ser vencida pelo simples passar do tempo.

O recurso de culpar "forças internacionais", o "capitalismo selvagem", a "ganância dos bancos", a "imprensa manipulada e comprometida" tem um histórico antigo, sendo sua maior referência o sr. Leonel Brizola. Aliás, da mesma origem partidária da presidente.

Pode parecer ingenuidade achar que o MST e os baderneiros urbanos deixarão de aproveitar o agravamento da crise, previsto para maio-junho para agitar o país, inclusive em confronto com o Congresso. O que nos espera é muita confusão e crescer neste clima seria inédito.

O sucesso da presença em Davos de nosso Ministro Joaquim  Levy não deve de ter agradado personalidades influentes no Planalto.  Pode ser que ele não feche o semestre no cargo. O que seria um pena.  Precisamos de atos concretos  para melhorar o ambiente de negócios no Brasil.

 



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