São Paulo, 27 de Setembro de 2016

/ Opinião

Arrogância e silêncio
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É um absurdo Lula transformar o MST em "exército" para a preservação do establishment petista

Os problemas de um país têm o tamanho da incompetência com que os enfrenta, e o que se viu na última terça-feira, na sede da ABI, no centro do Rio, confirma que o Brasil, neste momento, não foge à regra.

Mas, nesse instante delicado da vida política nacional, o Brasil não está apenas validando a regra segundo a qual demagogia, nacionalismo e populismo levam ao desastre, cedo ou tarde.

O PT fez da afronta e da ameaça a regra pela qual ascendeu ao poder e não hesita em aplica-la quando ameaçado de perde-lo. Só assim se explica a provocação à sociedade brasileira em que se constituiu o evento fechado, promovido no Rio de Janeiro pelo PT, agora não tão dono das ruas, como se acostumou a ser nesses últimos 30 anos.
  
Tratar aqui do discurso proferido por Luís Inácio Lula da Silva na última terça- feira não é lhe dar a publicidade que não merece, a considerar as estultices desfiadas, do poder da Unasul ante a 4ª Frota dos EUA às saudades de Sadam Hussein, passando pela síntese lulista da História do Brasil, uma versão circense da que infesta os livros de nossos filhos e netos propalada pelo sindicalismo petista que conduziu à hecatombe da educação no País.

Está claro que Lula deseja a maior repercussão do discurso que não teve coragem de levar às ruas, e seu instituto se incumbe de lhe dar a publicidade que seu líder deseja.

Tratar aqui do discurso de Lula na sede da ABI em 24 de fevereiro de 2015 é falar de enfrentamento, não de pessoas, mas sim enfrentamento da demagogia, do nacionalismo e do populismo que pontificam em palanques, tribunas e gabinetes do País há décadas, com resultado unívoco: atraso.

Mas tratar do discurso de Lula é mais do que tudo enfrentar a afronta e a ameaça. A pajelança promovida na sede da ABI, que contou com a presença de representantes da diversificada aristocracia petista e girou em torno de uma fala eivada de chavões desgastados e afirmações absurdas, não parecia ter muito nexo, até o seu encerramento, quando Lula concluiu: “Mas nós sabemos brigar também. Sobretudo quando o João Pedro Stédile colocar o exército dele do nosso lado.”

Perseguindo a miragem de uma “briga” que, na verdade, é promovida há mais de trinta anos por seus sequazes em ruas, praças e campos do Brasil, Lula convocou uma militância conhecida por invasões e agressões, a do MST, a se colocar ao lado do PT, no momento em que se aproximam as manifestações contra o governo no próximo dia 15 de março.

Muita tinta e pixels serão gastos nos próximos dias para explicar as razões que levaram Lula a fazer esse movimento temerário, mas o seu aspecto central, o da intimidação a adversários de toda natureza, internos e externos, não pode ser ignorado, nem por eles, nem por todos nós, brasileiros.

O PT pressupõe que aqueles que protestam publicamente contra seu governo são seus inimigos. Entende que devem ser enfrentados, física e  verbalmente, pretende que eles não se manifestem de forma alguma e subentende que não há opinião válida, por qualquer meio, distinta da sua.

Acostumado a dominar as ruas para impor sua visão ideológica radical, desgastado, entretanto, por  mais de uma década de prática política imoral e ilegal, o PT enfrenta agora a perspectiva delas serem tomadas, não preventivamente pela polícia ou ferozmente por adversários fascistas, mas por uma parcela expressiva da sociedade farta de ser extorquida, explorada e oprimida por um projeto de poder autoritário e corrupto que, ao ser confrontado, ameaça.

Há três ameaças a que a sociedade brasileira não pode se dobrar nesse momento, sob pena de abrir mão de sua soberania política. A primeira é da neutralização das investigações em torno dos desvios bilionários ocorridos na Petrobrás.

A segunda é a supressão da discussão do impedimento da Presidente da República, um tema essencialmente político que tem dinâmica própria e está previsto constitucionalmente.

A terceira é a intimidação da população ir às ruas no próximo dia 15 para protestar contra a série de crimes e desmandos perpetrados contra a nação, exigindo que aconteça em todos os níveis a responsabilização e punição indispensáveis à urgente mudança de rumos do país.

À primeira ameaça cabem responder magistrados e procuradores de todas as instâncias; à segunda os parlamentares que não podem renegar a representação da soberania popular que lhes pesa aos ombros; e à terceira ao povo, cioso de sua liberdade perante a Lei, não unicamente aquele “povo” da visão vesga marxista que exclui tudo e todos que não cabem no seu projeto de tomada do poder. O povo brasileiro é um só.

O que se conclui disso é que o encaminhamento ordenado da superação da crise que se armou no cenário brasileiro depende mais de atitudes do que ações.

Serão predisposições interiores, amplas, fundadas na lei e nas instituições que instruirão ações eficazes à altura da indignação que toma o País, afastados os extremos da exacerbação e da covardia.

Toda vez que o discurso da arruaça prevaleceu, foram os seus operadores que se beneficiaram, transformando-se nos piores ditadores da História. Quem duvidar, que consulte as biografias dos expoentes nazistas e bolchevistas.

Por outro lado, calar-se, omitir-se ou dobrar-se pode ser fatal ao país. O povo brasileiro tem o direito de esperar punições legais e justas, igualmente aplicadas a corruptos e corruptores; de assistir seus representantes deliberarem livremente se houve ou não o crime de responsabilidade capitulado na Constituição Federal; e de protestar pacificamente contra o atual estado de coisas pelo qual responsabiliza o seu governo, devendo inclusive ser protegido nesse seu direito contra qualquer pretensão de quem se arroga, em momento tão delicado, em falar de “exército do nosso lado”.
 
Na falta de cobrança de respostas a tão disparatada afirmação, tomando-se em conta que o povo brasileiro é um só, aconteceu a resposta do presidente do Clube Militar, de que há um só exército no País, o Exército Brasileiro, obrigado constitucionalmente a defender os brasileiros na sua associação espiritual e física em torno da Pátria, e a garantir os poderes constituídos que os representam e a lei e ordem que os protegem. 

O problema é que a Pátria a ser defendida, bem como os poderes, a lei e a ordem a serem garantidos, são de todos os brasileiros e eles só subsistirão se houver convicções que os sustentem.

Silenciar nesta hora significa ceder às ameaças contra a democracia brasileira.

 

 

 



Também foram denunciados pelo Ministério Público a mulher dele, Marisa Letícia da Silva, e outras seis pessoas, entre elas Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula

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