São Paulo, 24 de Abril de 2017

/ Opinião

Ainda há muito a mudar
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Estamos andando, aos poucos, avançando, mas ainda há muita gente para ir para a cadeia e muito mesmo a mudar na mentalidade colonial da corte brasileira

Não há como negar que o Brasil amadureceu muito nesses últimos anos.  A existência das operações Mensalão e Lava Jato nascidas em função dos desmandos jamais vistos na história deste país, como na finada e não saudosa era lulopetista, propiciou movimentações sócias e políticas que de algum modo despertaram o interesse de uma parte maior da população sobre o que se passava e passa na vida nacional.

A derrocada do petismo, a queda, dentro da Constituição do desgoverno Dilma, os indiciamentos de diferentes cúpulas do PT e de Lula e familiares, as condenações e outros visíveis resultados decorrentes da mobilização popular nos anos anteriores, pela mobilização de Procuradores e Juízes determinados - tudo isso, além de outros fatores revelam um novo país que começa a florescer e que encontra nas gerações atuais um campo para florescer dentro de uma nova mentalidade.

Poder-se-ia dizer, à la Temer, que apesar de árduo, finalmente, encontrou-se um caminho. Entendo, porém, que apesar dos avanços -e são muitos-, o país ainda padece de vícios históricos e institucionalizados: o aparato estatal, as máquinas dos poderes, são tidas como pertencentes aos seus controladores, dominadores, ocupantes e não ao povo brasileiro que por tudo paga com escorchantes impostos.

Prevalece enraizada na mentalidade dos ocupantes de cargos públicos, sejam eles do Poder Executivo, de Legislativo e do Judiciário, independentemente do escalão, mas de forma mais acentuada nos mais elevados, de que a coisa pública lhes pertence.

E, pior: são capitanias hereditárias e feudos de influência onde somente eles, a maior parte usurpadora legitimados em urnas ignorantes, mandam e desmandam no que pertence a cada brasileiro. 

Acrescente-se que como aves de rapina buscam freneticamente transferir de maneira ilegal o patrimônio público para seus patrimônios pessoais.

É indecente no Brasil, ainda mais na modernidade, a existência de uma mordomia paga com recurso do trabalhador brasileiro, que mantenha em luxo, além da usurpação do que é coletivo para o individual, ocupantes de cargos que existem apenas para que seus ocupantes-que deveriam ser probos e competentes – sirvam, como funcionários públicos, os brasileiros que os sustentam.

O Estado existe como regulador social. No Brasil, onde ainda manda a carteirada do “sabe com quem está falando?”, o Estado existe para servir os ocupantes que deveriam ser passageiros nos cargos e se tornam permanentes, como passagem de pai para filho, e outros familiares.

Políticos e governantes, integrantes dos demais poderes em cargos de maior destaque, tendo à sua disposição dinheiro público para gastos pessoais, moradias, veículos, funcionários, verbas, tudo, mostra um vício que corrói a capacidade de manutenção dessa absurda situação, corrompe e, ainda, impede que haja uma oxigenação e corte de custeio para melhorar as finanças públicas.

Os renans, os cunhas, as dilmas, os lulas, parlamentares, magistrados, para citar alguns e milhares de privilegiados que vivem à custa de status falso, alguns de enriquecimento ilícito, mordomias que afrontam a pobreza dos brasileiros, precisam ser combatidos pelo lado sadio da sociedade brasileira, no investimento na educação e na formação política dos jovens brasileiros que serão as autoridades de amanhã.

Precisam desapegar dessa sem-vergonhice de viver à custa dos impostos e, muitos deles, da corrupção.

Estamos andando, aos poucos, avançando, mas ainda há muita gente para ir para a cadeia e muito mesmo a mudar na mentalidade colonial da corte brasileira e, de sua gente que ignora a política.

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As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio



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