Opinião

Afronta ao povo


Precisamos de um amplo consenso para agendar uma saída para esta crise institucional, que faz o povo sofrer e o país perder credibilidade internacional


  Por Aristóteles Drummond 06 de Setembro de 2016 às 11:29

  | Jornalista


Esse debate político e agora jurídico sobre a governança do Brasil é do mais lamentável elitismo. Pura demonstração de falta de solidariedade e responsabilidade social.

Interessa a uns poucos atores da alta cúpula política e jurídica, militantes profissionais, todos bem alimentados e confortavelmente instalados.

Até alguns observadores da cena que faz da Praça dos Três Poderes um grande palco, mesmo que inconscientemente, acabam   ajudando este momento de egoísmo e vaidades exaltadas.

O povo sofre, desde o desempregado, que não tem o direito à esperança, ao empregado insone com a ameaça latente do desemprego.

Além dos empresários, especialmente os pequenos e médios, vítimas dos juros, dos impostos, da recessão e com patrimônio ameaçado pelo alongamento das tensões que travam a retomada do crescimento e inibem o crédito.

Os jornais estão magros, as calçadas tomadas por portas fechadas. Ninguém dá um grito de alerta para que tudo seja resolvido a tempo e a hora. A incerteza não favorece o investimento.

E, para o Brasil crescer, é preciso ordem e união para as reformas, que todos sabem ser prioridade para um futuro melhor.

A baderna toma conta das ruas, ainda sem o combustível da crise social, fruto de milícias organizadas e pagas com o objetivo de tumultuar as cidades, iludir jovens e dar vazão a angústia de tantos outros.

Mas, pelo andar da carruagem, podemos, em breve, ter mais gente nas ruas, incitadas pelos profissionais do caos.

O noticiário registra ameaças, ignoradas pelas autoridades responsáveis pela ordem pública. A ação policial nem sempre é bem compreendida, criando um clima propício a que amanhã, cumpridas as ameaças, a defesa da ordem se apresente fragilizada e intimidada.

A realidade é que a consolidação democrática que vivemos também corre riscos. Registra a história, universal e não apenas a nossa, que as sociedades diante da desordem optam por soluções autoritárias. Por tal, a Constituição dos países democráticos preveem o “estado de sítio”.

Precisamos de um amplo consenso para agendar uma saída para esta crise institucional, que faz o povo sofrer e o país perder credibilidade internacional. Um basta à futricaria do jogo de interesses de grupos divorciados da realidade nacional, entorpecidos pelo dinheiro e a ânsia de poder.

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