São Paulo, 28 de Setembro de 2016

/ Opinião

A velha guarda competente
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Ernane Galveas e Delfim Netto são hoje idosos cidadãos que pensaram o Brasil e a economia de modo desinteressado

Às vezes, fico em dúvida se os brasileiros mais responsáveis e atentos ao desenrolar desta gigantesca crise política, ética, moral e econômica têm consciência de algumas realidades.

No campo da defesa inteligente e com lastro do bom senso, na orientação segura e experiente, temos poucos nomes. Mas dois se constituem em verdadeiro patrimônio nacional, presentes com suas análises impecáveis, voltadas exclusivamente para o interesse nacional.

Não buscam aplausos. Nem precisam. Refiro-me aos ex-ministros Ernane Galveas, 90 anos, chefe da Assessoria da Confederação Nacional do Comércio que nos brinda semanalmente com uma sólida análise dos números conhecidos da economia e tece comentários, sempre substanciais.

E o fantástico Delfim Netto, 87 anos, brilhante, realista, profundo, que é uma ausência muito sentida no Congresso Nacional, onde exerceu mandatos impecáveis. Não entendi até hoje o que pode tê-lo afastado de Paulo Maluf a ponto de deixar o PP, partido que sempre lhe garantiu a eleição. Na última que perdeu, se estivesse no PP, teria sido eleito com os votos que teve.

Os artigos magistrais de Delfim Netto seriam mais do que suficientes para que se formasse em torno dele um movimento pela preservação das condições básicas para a sobrevivência das empresas no Brasil, grandes e pequenas, nacionais ou multinacionais.

Falta no empresariado a consciência de que tão grave quanto à crise que ameaça o universo empresarial é o clima ideológico hostil aos empresários.

Mesmo nos escândalos que ocupam os jornais, que chocam os mercados internacionais pelo tamanho dos desvios, não se percebe nos defensores da liberdade e do capital uma palavra de equilíbrio e bom senso em relação às empresas, que foram constrangidas aos desvios éticos.

O mesmo, nesta dimensão petrossaura, como diria Roberto Campos, não ocorreu em outros setores que lidam com energia e infraestrutura e as empresas são as mesmas. É preciso acelerar os processos, punir e multar quem superfaturou e liberar as empresas para tocar seus negócios. Afinal, não são poucas nem são poucos os recursos em jogo.

Vivemos uma emergência. Mas temos homens como esses veteranos, vindos de uma fase em que o Brasil cresceu, com austeridade e seriedade, de vida ilibada. Portanto, podem ajudar, apontando o melhor caminho para apressar a volta da normalidade. Afinal, a crise é mesmo imensa.

 



O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto (foto) disse que as propostas do ministro da Fazenda são boas, mas precisam do aval do PT

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