São Paulo, 29 de Março de 2017

/ Opinião

A solução moleca
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Jamais houve tanta tropa das Forças Armadas nas ruas e a população ordeira está mais assustada do que nunca, não com elas, como aliás nunca esteve, mas sim com o crime e a violência que não param de crescer no País

George Bush inventou a guerra preventiva e Pezão sacou a greve preventiva. Faceiro, ontem o governador do Rio de Janeiro anunciou o emprego do que não é seu, as Forças Armadas, para resolver o problema que é seu, a Segurança Pública.  

Podia ter ficado por aí a esperteza que vai fazendo escola no País: passar a bola  dos problemas que não se quer resolver.

Mas parece que até essa prática sem vergonha piorou. Agora a bola da segurança pública é passada por quem não tem a menor intimidade com ela, o Ministro da Defesa, sinal de que tudo está mesmo virado ao avesso.

E com direito a piruetas ficcionais, aludindo ele a uma “normalidade institucional”, contrastada com o regime militar que supostamente assustava o povo nas ruas com tropas do Exército.   

Resta saber que normalidade é essa, quando o Ministro da Defesa faz seguidos pronunciamentos sobre problemas que não são de sua competência, os quais, exatamente por isso, só se agravam. 

Jamais houve tanta tropa das Forças Armadas nas ruas e a população ordeira está mais assustada do que nunca, não com elas, como aliás nunca esteve, mas sim com o crime e a violência que, entre uma cena teatral e outra do governo, não param de crescer no País. O palanque eleitoral continua armado, independentemente do calendário.    

Mas há que se reconhecer que a solução do Pezão é fantástica. Com ela, o governo estadual afasta o risco imediato de mais uma crise, desta vez à semelhança do Espírito Santo.

O federal fica aliviado por não ter que dividir mais uma com um estado falido, não importa se financeira ou moralmente, ou os dois.

E os policiais pré-grevistas recebem sinal verde para faturar por fora na segurança dos eventos de Carnaval com as horas de folga caídas do céu. 

Mais uma malandragem que resolve o problema dos incompetentes, mas não os do País.

Enquanto isso, outra fórmula também vai dando certo, a do caos, expresso em acontecimentos cada vez mais inacreditáveis.

Tantos, sucedendo-se em tamanha velocidade, que vão sendo banalizados, esquecidos na superação de um absurdo por outro, a cada dia, a cada semana. 

Massacres em presídios, ruas esvaziadas pelo toque de recolher do crime, polícias amotinadas, ônibus queimados a torto e a direito e um sem número de prejuízos à sociedade. Semanas atrás no Norte e Nordeste; ontem em Vitória; hoje em Belo Horizonte; amanhã, o que? Aonde? 

Nesta roleta do caos, por enquanto, só uma certeza: a da solução moleca.

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As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

 



Nos cartórios e tabelionatos, “palavra de honra” ainda existe

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A população pensante do país só volta às ruas se for por razão objetiva, clara, sem manipulação, sem falsa liderança e com propósito de melhorar de fato o país, sem slogans ou candidaturas a favor deste ou daquele

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Urge a criação de uma vara criminal voltada a julgar casos de danos ao patrimônio ou ao serviço (caso dos ônibus) públicos e uma cadeia que acolha imediatamente os presos em flagrante

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