São Paulo, 24 de Maio de 2017

/ Opinião

A herança e o exemplo da Era Vargas
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Getúlio Vargas dominou a cena brasileira por tantos anos por reunir qualidades sólidas, que facilitaram a longevidade de seu período ditatorial e facilitaram a sua volta pelas urnas

O ex-presidente FHC, apesar de seu nível intelectual, por mais de uma vez, foi infeliz em suas frases pronunciadas com arrogante ar professoral. Uma delas é a de que estava “virando a página da Era Vargas”. Ora, tudo o que o Brasil precisa é voltar aos princípios básicos que marcaram o getulismo na história da República, de 1930 até a sua morte, em 1954.
 
Celina Vargas do Amaral Peixoto, sua neta, cultora de sua obra e defensora de sua memória, vem publicando nas redes sociais interessantes textos relativos ao seu ilustre avô. São recordações de grandes feitos e frases de forte conteúdo político e social.

Getúlio Vargas dominou a cena brasileira por tantos anos por reunir qualidades sólidas, que facilitaram a longevidade de seu período ditatorial e facilitaram a sua volta pelas urnas. Ele, sim, não roubava nem deixava roubar, austero na vida pessoal, discreto nas manifestações públicas, tinha o sentido da nacionalidade. Era honesto.

Getúlio foi o primeiro a promover os valores de nossa história. E a integrar o povo nas conquistas do mundo moderno, inspirado no que acontecia na Europa, onde foi criada a primeira legislação trabalhista e os primeiros conjuntos habitacionais.

Responsável nas contas, teve no Ministério da Fazenda um funcionário exemplar, Artur de Sousa Costa, que ocupou o cargo por quase 15 anos.
 
Essa postura de homem voltado para as responsabilidades do exercício do poder, evidentemente, era acompanhada pelos chefes militares, que o apoiaram durante todo o tempo. Tivesse cometido deslizes, não teria ficado tanto tempo no topo, e com tanto poder.
 
Na área jurídica, contou com alguns dos mais respeitados nomes de nossas letras jurídicas, como Francisco Campos e Vicente Rao. Colocou nos estados, como interventores, homens de bem, que firmaram lideranças que sobreviveram a seu tempo. E a cultura   ganhou os instrumentos para alcançar o povo e ter o seu monumento de modernidade, que é o Palácio Gustavo Capanema, onde pontificavam nomes como Carlos Drummond de Andrade, Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Cândido Portinari.

A presença internacional do Brasil nunca mais foi tão significativa. Teve um grupo de diplomatas de primeira linha, como o chanceler Afrânio de Melo Franco, o embaixador Carlos Martins, em Washington, durante toda a guerra, o estadista Oswaldo Aranha, chanceler e embaixador nos EUA.

Getúlio esperou para entrar na guerra na hora certa. FHC que nos perdoe, mas anda faltando é um pouco de varguismo no Brasil que vivemos.

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