São Paulo, 23 de Junho de 2017

/ Opinião

A festa do impeachment
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Para aqueles que, como eu, há muito tempo alertam para os delírios totalitários do PT, o impeachment é um alívio

Num dia especial pra mim – quando completo mais uma primavera – o impeachment finalmente saiu. Tem gente que pediria presentes. Eu pedi, no mínimo, 54 votos de aniversário. E eles vieram. Com sobra.

Após seis dias de julgamento, o Senado finalmente decidiu nesta quarta-feira, 31 de agosto, que Dilma Rousseff cometeu crime de responsabilidade e deve ser afastada definitivamente do cargo. Logo depois, Michel Temer deixou de ser “interino” para assumir a presidência em definitivo.

Infelizmente, no entanto, o “meu” presente – e de outros milhões de brasileiros -veio com defeito: em uma interpretação casuística e delirante, o presidente do Supremo Tribunal Federal decidiu atender o pedido de senadores petralhas (e seus aliados) e fatiar a votação: uma votação para decidir o afastamento em definitivo e outra, para definir se Dilma perderia seus direitos políticos.

Nesta dupla votação –não prevista em lugar nenhum- embora o impeachment tenha vencido com folga, os votos necessários para a pena de perda dos direitos políticos não foram alcançados.

Com isso, Dilma foi afastada, mas manterá direitos políticos, uma excrecência chancelada pelo ideológico Presidente do Supremo.

A votação separada é claramente inconstitucional. Basta uma leitura do artigo 52 da Constituição Federal em seu “Parágrafo Único”:

“Parágrafo único. Nos casos previstos nos incisos I e II, funcionará como Presidente o do Supremo Tribunal Federal, limitando-se a condenação, que somente será proferida por dois terços dos votos do Senado Federal, à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis.”

O texto é claríssimo, mas Lewandowski, tal qual a grande maioria dos atuais ministros do STF, prefere criar leis e inovações a partir de suas próprias vontades, em vez de exercer seu papel de guardião da Carta Magna.

O assunto ainda vai dar muito o que falar e espera-se que haja recursos para que tal decisão seja revertida e siga-se a letra da lei.

Para aqueles que, como eu, há muito tempo alertam para os delírios totalitários do PT, o impeachment é um alívio. Há motivos para festejar. Remove-se um câncer da história política do Brasil.

Entretanto, os petistas e suas linhas auxiliares (PSOL, Rede, PC do B) ainda estão por aí inventando narrativas absurdas, mentindo descaradamente e pervertendo a vida política brasileira.

Tal qual o tratamento da doença real, o Brasil ainda precisará passar por uma grande quimioterapia política. O trabalho mal começou.

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As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio

 

 



A qualidade de vida dos brasileiros está recuando a níveis do passado, em vez de crescer como os demais países em desenvolvimento

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Somos contra o AR porque prejudica consumidores, famílias, empresas, além de ser sete vezes mais caro do que a carta simples.

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Nessa revisão por que passa o Brasil, temos de cair na real em relação a vencimentos e vantagens nos três poderes, principalmente no Congresso e no Judiciário, onde os custos excedem os praticados em países ricos

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