São Paulo, 27 de Setembro de 2016

/ Opinião

A corte bolivariana e a criminosa “omissão” do PSDB
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Ausência de senadores do PSDB na CCJ do Senado ajudou o governo a emplacar um simpatizante como ministro do Supremo

Já comentei uma vez (leia aqui) que a única reforma política realmente necessária para o Brasil seria a retirada do PT do poder. Peço desculpas aos leitores, pois me equivoquei.

Não que retirar o PT não seja absolutamente primordial para iniciar a reconstrução do Brasil. Mas a verdade é que há outro câncer político no Brasil que precisa ser eliminado o quanto antes também: falo do PSDB.

Em um dos momentos recentes mais cruciais para impedir o aparelhamento descarado do STF por um segundo militante petista assumido (o outro é Dias Toffoli), o que fizeram os tucanos?

Para começar, o senador Álvaro Dias defendeu a indicação de Luiz Edson Fachin. A justificativa? Ele é paranaense! É sério isso?

E os outros senadores tucanos de alta plumagem? O que fizeram? Foram para Nova York para assistirem a entrega de um prêmio a FHC no dia da sabatina do Senado.

Isso mesmo: Aécio Neves, José Serra e Tasso Jereissati foram para os EUA para “prestigiar” o ex-presidente FHC, o qual recebeu o prêmio de “Personalidade do Ano” da Câmara de Comércio Brasil-EUA.

Poderia ser o “Prêmio de Personalidade do Século”. Poderia ser o “Prêmio de personalidade do Milênio”. Podia ser o título de Sir concedido pela Rainha da Inglaterra. Poderia ser o Nobel da Paz. Poderia ser a canonização em vida pelo Vaticano. Não importa.

Os líderes do PSDB no Senado não tinham o direito de não comparecer na Comissão de Constituição e Justiça num momento tão sensível, na qual a corte suprema do Brasil vai alegremente se bolivarianizando de forma irreversível.

A revoada tucana para Nova York veio com a pretexto adicional de que o verdadeiro embate se daria na semana seguinte.

Por óbvio, isso era uma desculpa conveniente e esfarrapada para a cumplicidade tucana. Segundo foi noticiado na imprensa, FHC também quis colaborar com a aprovação de Luiz Fachin.

Além dele, o senador Anastasia conseguiu convencer os demais tucanos a “votarem livremente”, ao contrário de fechar a posição do partido contra Fachin, como queria Aécio Neves.

Fachin foi ratificado num placar com vários votos contrários e agora contribuirá para o avanço da agenda “progressista” no STF.

Na semana passada, o PSDB veiculou um programa eleitoral ineditamente duro. Mas tardio. Realmente não é do feitio tucano atacar o PT.

Pergunte a um tucano o que ele acha da ideia de protocolar um pedido de impeachment contra Dilma Rousseff e ele rapidamente mudará de assunto e dirá que não vê “base” para tal.

O PSDB nunca foi oposição de verdade, mas ocupa um lugar que deveria ser de verdadeiros oposicionistas.

Não que não haja quadros dentro do PSDB que realmente batam duro no PT. Porém, eles são minoria e muitos estão no PSDB unicamente por falta de opção.

O núcleo do tucanato e sua ideologia são tão deletérios quanto o petismo.

Os brasileiros vêm protestando, fazendo panelaços e vaiando o PT em todas as oportunidades. Entretanto, tão urgente quanto a retirada do PT da cena política, talvez seja também desmascarar o PSDB.

Esses dois irmãos siameses merecem a lata de lixo da história brasileira.


P.S: Aproveito para desejar melhoras ao Kim Kataguiri, um dos líderes da “Marcha pela Liberdade” promovida pelo Movimento Brasil Livre, que estará na quarta-feira em Brasília para protocolar um pedido de impeachment de Dilma Rousseff.

Kim foi atingido num acidente de carro, mas passa bem e segue firme e forte em direção à Capital Federal.

 



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