São Paulo, 26 de Setembro de 2016

/ Opinião

A corda do carrasco
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Se batalharem pelo impeachment de Dilma, os tucanos terão como concorrente à Presidência também o PMDB

Marqueteiros experientes acham que o grupo de tucanos que ainda defende o impeachment da presidente Dilma Rousseff, contrariando a posição oposta de Fernando Henrique Cardoso, pode estar cometendo um grave erro com reflexos negativos para o PSDB na eleição de 2018.

A imagem criada por marqueteiros para justificar sua convicção é a de que esse grupo de tucanos estaria colocando a corda no pescoço, podendo ser enforcado com ela na próxima eleição presidencial.

Senão, vejamos: para eleger o próximo presidente, o PSDB precisa apenas derrotar o candidato do PT, e nada mais. Na hipótese, contudo, de Dilma ser cassada, assumiria a presidência o vice Michel Temer, que ficaria no cargo por mais de três anos.

Quem conhece a competência política de Temer sabe que ele, assim que fosse investido na Presidência, fortaleceria de tal maneira seu partido, tornando o PMDB em condições satisfatórias de concorrer na eleição de 2018 com candidato próprio.

Nesse caso, o PSDB não teria de vencer só o PT se quisesse reconquistar o Palácio do Planalto: teria de bater nas urnas também o PMDB. Foi isso que FHC enxergou ao se colocar contrário ao impeachment.

A tese do impeachment, defendida por alguns grupos que participaram dos protestos de domingo, provocaria discussões polêmicas, expondo ao julgamento do público partidos e parlamentares.

Como é, por exemplo, que os presidentes das duas casas do Congresso - Câmara e Senado - Eduardo Cunha e Renan Calheiros, respectivamente, conduziriam o processo contra Dilma, defendendo a lisura no trato das coisas públicas, se ambos estão atolados até o pescoço no escândalo das propinas da Petrobrás?

E, como principal líder da oposição no Senado, caberia a Aécio Neves fortalecer o apoio à tese do impeachment. Acontece que os governistas gritariam, porque também o nome do senador mineiro foi citado numa das delações premiadas na Operação Lava-Jato, acusado de ter usado dinheiro ilegal em suas campanhas, proveniente de usinas hidrelétricas de Minas, Estado que governou duas vezes.

Apesar de ter sido citado nas investigações presididas pelo juiz Sérgio Moro, o nome de Aécio foi excluído pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot da lista dos envolvidos no escândalo da estatal do petróleo, que respondem a inquéritos policiais no STF.
 
Também o senador José Serra poderia ficar constrangido se tivesse de acompanhar, em nome da oposição, a tramitação do projeto de impeachment pelas comissões técnicas do Congresso: juntamente com os governos de Mário Covas e de Geraldo Alckmin, também o governo de Serra está sob investigação do Ministério Público, por envolvimento no escândalo de 12 anos de propinas no Metrô e Trens Metropolitanos de São Paulo.

Situação semelhante tem outro senador paulista, Aloísio Nunes Ferreira, cujo nome também apareceu na lista de pessoas envolvidas ainda no escândalo do metropolitano.

Aloísio já declarou que prefere “sangrar” a presidente Dilma e não cassá-la, enquanto Serra se mantém de bico calado.

Além disso, deputados que integravam o Conselho de Ética da Câmara constam da lista das pessoas que embolsaram propinas no escândalo da Petrobrás. Sem Falar na existência de dezenas de outros deputados e senadores igualmente acusados de mamar nas tetas expostas e generosas da Petrobrás.

Para que o pedido de impeachment não fosse prejudicado na sua tramitação no Congresso, seria necessário que fosse balizado juridicamente, isto é, que tivesse alguma prova concreta da participação da presidente Dilma no escândalo das propinas.

Até o momento, no entanto, essa prova não surgiu; mas, a oposição tem esperança de que ela apareça durante os depoimentos de ex-diretores que roubaram a Petrobrás e que já foram convocados para depor na nova CPI da estatal instalada na Câmara.

 



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