A guarda


O quê e a quem os Dragões da Independência guardavam na manhã de segunda-feira? Atrás deles, nas vidraças do Palácio do Planalto, estampavam-se os cartazes afrontosos da CUT, da UNE e da UBES, dentre outros, promovendo a violência


  Por Sérgio Paulo Muniz Costa 10 de Maio de 2016 às 22:32

  | Doutor em ciências militares e historiador


Bloqueios de vias públicas, badernas em repartições federais de Brasília e agressões a repórteres promovidos por militantes do PT compõem o quadro lamentável que se assiste no País às vésperas da votação do afastamento da presidente da República pelo Senado Federal.

O exemplo vem de cima, claro, da própria Dilma Roussef, que nesta 2a feira (09/05) presidiu um ato dentro do Palácio do Planalto no qual agitadores estenderam faixas incitando o confronto e a desordem no País.

O Brasil já foi traído pela presidente da República que levou ao estrangeiro uma questão soberanamente afeta ao Congresso Nacional.

Nos últimos dias, o Brasil foi exposto ao ridículo pela presidente da República que usou um deputado inexpressivo para atiçar o caos político e econômico que a nação já enfrenta.

Agora, o Brasil tem a imagem que resume tudo isso à perfeição, no desprezo de Dilma pelas instituições nacionais, a começar pela Presidência da República, a cujas normas de decoro ela está obrigada.   

Dois soldados do 1o Regimento de Cavalaria de Guardas, os Dragões da Independência, imóveis no alto da rampa de acesso ao Palácio do Planalto é uma imagem que faz parte do roteiro turístico de Brasília, reproduzida nas fotografias que visitantes levam de nossa capital.

Os soldados de guarda da sede do poder executivo são também símbolos da soberania nacional entronizada na pessoa institucional do Chefe de Estado.

Absurdo seria que a sua guarda estivesse confiada a outra força que não fosse nacional, regular, permanente e baseada na hierarquia e na disciplina.

Mas nestes dias de caos, tudo pode acontecer no Brasil.  O quê e a quem os Dragões da Independência guardavam na manhã desta 2a feira?  Atrás deles, nas vidraças do Palácio do Planalto, estampavam-se os cartazes afrontosos da CUT, da UNE e da UBES, dentre outros, promovendo a violência.

Então, quem guardava o quê no Palácio do Planalto? O circo de horrores institucionais em que se transformou o País não deixa outra resposta: os Dragões guardavam uma presidente que convocara à sede do governo arruaceiros que promoviam o enfrentamento à lei e à ordem. Incólumes na pureza de sua missão, os Dragões tinham às suas costas o crime e a traição ao povo brasileiro.

O episódio tem seu simbolismo, sem dúvida. Mas a questão não é mais de símbolos, e sim de  objetos, aliás  bem palpáveis. Espaços e bens públicos vão ser apropriados pelo PT, antes, durante e depois do afastamento de Dilma? O poder público vai ficar inerte perante o caos que está se espalhando pelo País? O Brasil vai se deixar despedaçar pelo PT?

Não é difícil enxergar o que deseja o PT a essa altura dos acontecimentos: promover a violência cuja contenção pelas forças da lei lhe proporcione a imagem da repressão de que necessita para vender aqui e alhures a ideia delirante do golpe. Na verdade, isso é o mínimo que se pode esperar do PT, em função do que ele mostra ser em seu crepúsculo.

Porém, é exatamente pelo que o PT intenta fazer que o poder publico deve começar: sinalizar que existe no Brasil um Estado de Direito com vontade e meios para se defender.

Sob essa égide estão todas as instituições nacionais que devem estar conscientes de suas responsabilidades para com a Nação. Por incrível que pareça, neste tiroteio institucional, foi a tão criticada Câmara de Deputados, a Casa do Povo Brasileiro, que tomou a atitude que pode servir de exemplo às demais instituições.

Na noite desta malfadada 2a feira, deputados se reuniram na Câmara para exigir de seu presidente em exercício a anulação de um ato espúrio que a todos maculava. Defenderam a Câmara e o País de uma desonra.

É hora de se manter a guarda, e alta!

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