São Paulo, 30 de Setembro de 2016

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Volume de encalhe no varejo é o maior em quatro anos
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Fecomercio apura que, em maio, a proporção de varejistas com estoques indesejados foi a maior desde 2011. FGV aponta queda de investimentos no setor de comércio

O grande volume de estoques encalhados nas lojas,devido à queda nas vendas e aos baixos níveis de confiança do consumidor, deve continuar prejudicando o desempenho do varejo nos próximos meses e adiar as encomendas para as indústrias, segundo o assessor econômico da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, Vitor França.

Em maio, a proporção de varejistas com volume de estoques indesejados foi de 36,5%, o maior resultado desde junho de 2011, quando o dado começou a ser pesquisado pela Fecomércio-SP. Comparado a maio de 2014, o resultado é 7,9 pontos porcentuais maior. Só de abril para maio, o aumento foi de um ponto porcentual na fatia de lojas com encalhe.

O economista destaca também que, em maio, a distância entre a proporção de empresas com estoques acima e abaixo do desejável foi de 22,8 pontos, a maior diferença registrada na série entre os dois indicadores. "O estoque alto é uma sinalização ruim para a indústria, porque adia as encomendas e afeta toda a cadeia de produção."

Para França, o fraco desempenho das vendas está superando até as expectativas dos próprios empresários do varejo. Menos confiantes, eles estão comprando volumes menores de produtos da indústria e, mesmo assim, estão sobrando mais mercadorias. O índice de confiança dos empresários do comércio está hoje no menor nível da série histórica iniciada em março de 2011.

Para se livrar do encalhe de produtos, França prevê a intensificação de promoções e liquidações na virada do ano. "Os lojistas começam a ter problemas de fluxo de caixa para pagar as despesas do mês."

JUNHO

A expectativa de continuidade de retração no varejo aparece nos resultados preliminares de vendas deste mês. Na primeira quinzena de junho, as consultas para vendas a prazo e à vista na capital paulista, recebidas pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), caíram 3,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

A maior retração foi nas vendas a prazo, quase 7%, nas mesmas bases de comparação. Juros altos e queda no emprego, que criam um ambiente de insegurança para o consumidor, são os fatores apontados pelos economistas da ACSP para o tombo nas vendas financiadas. Já as consultas para vendas à vista registraram uma queda menor, de 0,9%, em relação a junho de 2014.

INVESTIMENTOS EM BAIXA

De acordo com levantamento divulgado nesta quarta-feira (17) pela Fundação Getúlio Vargas, o número de empresas do comércio que pretendem reduzir investimentos nos próximos 12 meses aumentou no segundo trimestre de 2015, atingindo porcentual de 15%. No quarto trimestre de 2014, essa fatia era de 10%.

Já a quantidade de empresas do comércio que pretendem aumentar investimentos nos próximos 12 meses diminuiu de 44% no último trimestre do ano passado para 27% neste segundo trimestre.

Em relação aos últimos 12 meses até o segundo trimestre, 11% das empresas ligadas à atividade reduziram aportes na comparação os 12 meses anteriores. Outras 29% ampliaram o volume de recursos aplicado para esse fim. Os números mostram deterioração em relação ao fim do ano passado, quando 42% declararam ter aumentado investimentos e 9% diminuíram.

Hoje, 29% das empresas do comércio não têm nenhum programa de investimentos. Outros 21% desejam aperfeiçoar, modernizar ou racionalizar o processo produtivo. Também estão nos planos de algumas expandir a capacidade de produção (34%) e substituir máquinas, equipamentos ou instalações (13%).



O estoque de produtos em supermercados caiu em agosto, puxado pela redução na produção de alimentos, em especial o feijão, o leite e seus derivados

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Queda prevista é mais acentuada do que a registrada em 2015, de -4,3%, na comparação com 2014, de acordo com a ACSP

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Ritmo de crescimento é inferior aos 17% de 2015, segundo o Índice Cielo. Mesmo assim, desempenho é superior à média do varejo total no período, que foi de 4%

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