São Paulo, 28 de Setembro de 2016

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Vendas no comércio de SP caem 3,3% no primeiro trimestre
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Levantamento da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) mostra que a inadimplência continua sob controle

Inflação e juros em alta e a falta de confiança do consumidor contribuíram para uma queda de 3,3%, em média, nas vendas do comércio paulista no primeiro trimestre deste ano em relação a igual período de 2014. É o que revela levantamento da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

As vendas a prazo no período caíram 2,6% e, à vista, 3,9%. Para a equipe econômica da ACSP, não houve surpresa nos dados do trimestre. “A queda de vendas se deve aos ajustes que estão sendo feitos na economia para controlar a inflação e restaurar a credibilidade fiscal. Outros fatores são o aumento de tarifas, que comprime a renda, e a queda na confiança do consumidor”, afirma Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Em março passado, o desempenho do comércio foi melhor do que o de igual mês de 2014. As vendas à vista subiram 1,3% e, a prazo, 3,6%, no período. Mas isso só aconteceu porque a base de comparação ficou comprometida. O Carnaval no ano passado aconteceu em março. Foi um mês, portanto, com menos dias úteis.

Nos últimos 12 meses terminados em março deste ano, as vendas a prazo caíram 0,2% e, à vista, subiram 0,1%. “Isso revela que a economia está definitivamente estagnada”, afirma Emílio Alfieri, economista da ASCP.

INADIMPLÊNCIA SOB CONTROLE

Diferentemente do que ocorreu em outras crises, a boa notícia para o comércio paulista é que a inadimplência continua sob controle. A taxa de inadimplência líquida do comércio paulista está estabilizada em 4,6% (atrasos acima de 90 dias) desde janeiro deste ano. Significa que, de cada R$ 100 vendidos pelos comerciantes, R$ 4,6 não retornam para o caixa.

Mais um dado positivo constatado pela ACSP. O IRI (Indicador de Registro de Inadimplentes) caiu 9% no primeiro trimestre deste ano em relação a igual período de 2014, o que significa que há mais pessoas pagando as contas em dia nos últimos 12 meses.

O Indicador de Recuperação de Crédito (IRC), aquele que registra o número de pessoas que saem da lista de devedores, porém, já caiu 11%. “As pessoas estão com menos dinheiro para renegociar ou quitar os débitos”, diz Alfieri.

Essa retração nas vendas constatada pela ACSP foi sentida pela Cybelar, com 140 lojas espalhadas pelo interior de São Paulo e Minas Gerais. Ubirajara José Pasquotto, diretor presidente da rede, com faturamento previsto de R$ 800 milhões para este ano, diz que a empresa fechou o primeiro trimestre deste ano com queda de 2% no faturamento real.

 

LOJA DA REDE CYBELAR: VENDAS DE ELETRODOMÉSTICOS ATINGIDAS PELA CRISE

 

A retração de vendas, segundo ele, atingiu principalmente as linhas de geladeiras, fogões e lavadoras de roupas e televisores. A queda no faturamento da rede só não foi maior porque as vendas de ar condicionado superaram as do ano passado.

“Infelizmente, nossa perspectiva é de que o segundo trimestre deste ano será ainda mais difícil, por conta dos ajustes que serão feitos na economia. Se der certo o que o governo pretende fazer para colocar a economia em ordem, o consumidor vai voltar a ter mais confiança no país e, provavelmente, vai voltar a consumir mais”, diz ele. A inadimplência da rede, segundo Pasquotto, está sob controle, apesar de ter subido um pouco nos últimos meses.

O Sincovaga, sindicato que representa cerca de 40 mil lojistas no Estado de São Paulo, informa que o trimestre está abaixo das expectativas dos comerciantes. “Ainda não fechamos os números, mas, com certeza, deverão ser negativos”, afirma Álvaro Furtado, presidente do sindicato.

A queda da massa salarial (de 1,5% em fevereiro em relação a igual mês do ano passado, segundo o IBGE) e o medo do desemprego, segundo Furtado, estão tirando o ânimo para o consumo. “Sem contar, claro, a alta da inflação, dos juros. O consumidor está com menos dinheiro no bolso. A percepção dos comerciantes é que os próximos dois anos serão bem ruins”.

Com um faturamento anual da ordem de R$ 700 milhões e 12 lojas, a rede de supermercados Covabra está conseguindo manter o faturamento acima de igual período do ano passado – entre 6% e 10%. “O ritmo de crescimento em relação ao ano passado está caindo, mas ainda está positivo. O mês de março foi bem fraco. Vamos ver como será daqui para a frente”, afirma Ronaldo dos Santos, diretor geral da rede.

Para estimular o consumo nesta semana de Páscoa, a rede lançou o parcelamento em até seis vezes para ovos de chocolate e bacalhau nas compras acima de R$ 80 reais.

 



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