São Paulo, 27 de Setembro de 2016

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Vendas do varejo paulista caem 12,2% em abril
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Pesquisa da Associação Comercial de São Paulo mostra que apenas o setor de vestuário teve resultado positivo no mês

Renda em queda, crédito restrito, e desemprego em alta formam uma combinação nociva para o varejo que se materializou em abril, quando  o volume de vendas caiu 12,2% no Estado de São Paulo na comparação com igual mês de 2014. 

O dado é da pesquisa ACVarejo, elaborada pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP (Associação Comercial de São Paulo) com dados da Sefaz-SP (Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo). 

No acumulado do ano até abril, a retração no volume de vendas atingiu 7,3%. 

Os indicadores refletem os resultados de vendas físicas do varejo ampliado - que é aquele que inclui os setores de concessionárias de veículos e lojas de material de construção. O levantamento analisa o desempenho do varejo na capital e em outras 17 regiões paulistas.

“Os resultados indicam que o varejo paulista se encontra em situação delicada, em função de um panorama desestimulante: juros altos, inflação elevada, renda em queda, desemprego em alta, crédito dificultado e consumidores e empresas pessimistas”, diz Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo). 

Para Burti, tudo leva a crer que 2016 será um ano de recuperação, no qual o varejo tentará compensar as perdas do atual momento e construir um novo ciclo sustentável de vendas para os anos seguintes. 

Em abril, na comparação com março, as vendas de oito de nove setores pesquisados caíram. Apenas o varejo de vestuário, tecidos e calçados conseguiu um resultado positivo de 18,6%.

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As maiores quedas em volume de vendas, no mesmo período, ocorreram nas lojas de departamentos, eletrodomésticos e eletroeletrônicos, com recuo de 14,8%, e em concessionárias de veículos (-12,9%). 

No acumulado de 2015, todos os nove setores tiveram recuo nas vendas - sendo que o maior ocorreu nas concessionárias de veículos (16,9%). 

O faturamento real (descontada a inflação) dos pequenos varejistas paulistas caiu 7,1% em abril na comparação com o mesmo mês de 2014.

Quem mais sofreu foram os lojistas de departamento, eletrodomésticos e eletroeletrônicos, que tiveram em média uma retração no faturamento real de 14,2%, e os de concessionárias de veículos (-12,3%). 

Na comparação com março, o recuo foi de 4%. No acumulado de 2015, a queda do faturamento foi de 0,1% na média de todos os setores. 

 

Para Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP, a queda, tanto nas vendas quanto no faturamento real, ocorreu de forma acentuada no varejo de setores que dependem de crédito - caso de bens duráveis como veículos e eletrodomésticos.

Houve piora nas condições de concessão do crédito ao consumo, que já cresce menos que a inflação. A queda real deste tipo de financiamento foi de 3,6% em 12 meses até maio. 

Não só o crédito, mas a massa salarial também influencia fortemente a decisão dos consumidores. Na comparação interanual, a queda real da massa de rendimentos foi de 5,3% apenas no Estado de São Paulo. E conforme o desemprego avança, piora a confiança do consumidor. 

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de desemprego no Estado de São Paulo subiu de 5,1% em maio de 2014 para 6,9% em maio deste ano. 

A pesquisa ACVarejo mostra que as vendas caíram na maior parte das regiões do Estado. As maiores contrações foram observadas no litoral (queda de 23,3%), Bauru (-20%) e Araçatuba (-18,5%).

Na capital, a queda atingiu 10% ante abril do ano passado. No acumulado de 2015, a redução foi de 7,6%.

O único mercado paulista que registrou resultado positivo foi a Região Metropolitana do Alto do Tietê, com elevação de 1% nas vendas. No acumulado dos quatro primeiros meses, o Alto do Tietê cresceu 3,4%.

Foto: Thinkstock

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