São Paulo, 22 de Julho de 2017

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Vendas de Natal serão as mais fracas em 6 anos
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Segundo a Sondagem do Consumidor, da FGV, 43% dos consumidores devem gastar menos neste final de ano

A árvore de Natal dos brasileiros deve ficar mais modesta este ano, diante da sinalização de que as compras serão mais enxutas e a busca por promoções será maior. Um quesito especial da Sondagem do Consumidor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que a intenção de compras de Natal pelas famílias atingiu o menor nível desde 2008, no auge da crise mundial. Ao todo, 43% dos entrevistados pretendem gastar menos neste fim de ano.

Para o comércio, os sinais são de vendas fracas na data comemorativa mais relevante para o setor. O indicador que calcula a intenção dos gastos dos consumidores para o Natal ficou em 69 pontos, queda de 11,6% em relação a 2013 - a pergunta é feita nas sondagens de novembro. Enquanto quase metade das famílias deve apertar o cinto do orçamento natalino, apenas 12% pretendem ampliar os gastos com presentes. Os demais manterão o valor reservado à data no ano passado. Em 2013, 34,2% dos consumidores pretendiam reduzir as compras.

Para a instituição, os dados mostram que o consumidor brasileiro será "especialmente parcimonioso com os gastos de Natal este ano". Desde o início de 2014, economistas da FGV destacam a postura cautelosa das famílias, diante de uma percepção menos favorável sobre a economia, do crédito mais caro, do peso maior da inflação no orçamento doméstico e da insegurança em relação ao mercado de trabalho.

Só neste ano o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) já recuou 14%, ao menor patamar desde dezembro de 2008. "O quesito mostra que a cautela em relação às compras se transfere para o Natal", afirma a economista da FGV Tabi Thuler Santos, responsável pelo levantamento. "As expectativas pioraram em novembro, e há perspectiva de aumento de juros e inflação alta. Não esperamos recuperação da confiança no curto prazo", acrescenta.

CORTES DE GASTOS

Para fugir dos grandes gastos, a funcionária pública Márcia Araújo, de 37 anos, vai apostar no "amigo secreto". Ainda assim, os brinquedos para a filha devem engordar a lista de presentes. Ao todo, ela pretende gastar R$ 400, R$ 100 a menos do que no Natal passado. "Quero tentar diminuir o valor por causa da inflação. Os preços estão mais altos", disse ela.

Já a secretária Rosana Mourão, de 39 anos, aguarda o pagamento da segunda parcela do 13.º salário para decidir os presentes - já que a primeira parte foi toda empenhada em dívidas. "Já cortei muitas coisas, vou comprar presentes só para as três crianças da família." Nas contas dela, os gastos devem chegar a R$ 100, um terço do orçamento natalino de 2013.

Apesar disso, há quem tenha ampliado os gastos. Em sua estreia como Papai Noel, no centro do Rio, o estudante de engenharia Daniel Resende, 21 anos, gastou R$ 500 com brinquedos, algo inexistente em sua lista do ano passado. "Acho que é meu dever ajudar, então comprei cem brinquedos para doar."

CAI PREÇO MÉDIO DOS PRESENTES

Com mais gente querendo poupar, o preço médio previsto para os presentes também caiu para R$ 59,64 neste ano. Trata-se do menor valor de toda a série histórica apurada pela FGV. Ao todo, mais pessoas pretendem dar presentes cujo custo fique em até R$ 20. "Pode ser que o consumidor esteja buscando comprar em promoções", afirma Tabi.

Para o comércio, que já amargou um ano de vendas fracas, o resultado indica que o Natal não será alentador. A principal data comemorativa para o setor deve ter movimento pouco acima do registrado em 2013. A FGV espera que seja o pior desempenho desde a crise.

Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) prevê avanço de 2,3% no volume de vendas neste Natal em relação ao ano passado. Essa projeção vem sendo constantemente revisada para baixo e aponta para o pior final de ano desde 2004, quando o cálculo começou a ser feito pela instituição. 



De forma geral, os indicadores continuam em patamares melhores do que no ano passado, mas ainda aquém do desejável de uma economia em sua plenitude, de acordo com a Fecomercio

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